Curitiba - Após o resultado das urnas nas eleições municipais, muito se falou sobre os candidatos ao governo do Estado em 2010. Comparativamente, no entanto, houve pouca especulação sobre possíveis nomes ao Senado. Mas tem gente pensando no assunto. O deputado federal Ricardo Barros, presidente estadual do PP, e o deputado federal Abelardo Lupion, presidente estadual do DEM, já se colocam como pré-candidatos a uma cadeira no Senado. O senador Flávio Arns (PT) e o deputado federal Gustavo Fruet (PSDB), ainda que cotados nos bastidores para a disputa, não confirmam a intenção. Já o governador Roberto Requião (PMDB) deve estar na corrida.
Abelardo Lupion
Lupion reforça que pertence à frente política que envolve também nomes como Osmar Dias, atual senador pelo PDT; Ricardo Barros, do PP; Rubens Bueno, do PPS; Valdir Rossoni, do PSDB, e outros nomes de peso, para compor uma aliança com duas candidaturas ao Senado e uma para o governo do Estado. ''É com este grupo que me posiciono, e minha candidatura ao Senado é apoiada por ele'', diz.
O presidente estadual do DEM aponta Osmar como o possível candidato ao Palácio Iguaçu por esta frente. Barros seria o outro nome para senador. O deputado diz que o grupo está aberto, inclusive, a conversas com o PT. ''O importante, nesse tempo até a definição das candidaturas, é estarmos conscientes da nossa força política, sabendo que não podemos nos dividir.'' Beto Richa (PSDB), que ele salienta ''ter sido reeleito com o nosso apoio'', não sairia para o governo porque ''não tem sentido ele largar o mandato de prefeito para isso''. O tucano, na visão de Lupion, ''tem condições de ser o grande comandante'' desse movimento.
Ricardo Barros
Já o presidente estadual do PP não só já declarou sua intenção de disputar uma vaga no Senado, como demonstrou claramente estar em pré-campanha. Numa maratona de dois meses, entre julho e setembro, Barros visitou os 399 municípios paranaenses - tudo documentado e registrado com fotos em seu site oficial.
''Pretendo ser candidato e estou trabalhando muito para isso'', admite. Além de vitórias expressivas entre as prefeituras do interior do Estado, Barros cita ''parcerias'' importantes na Capital como fator que pode impulsionar uma provável candidatura dele - entre elas, a própria esposa, deputada estadual Cida Borghetti (PP), ocupantes de cargos na prefeitura curitibana e o próprio prefeito Beto Richa, reeleito com apoio do PP.
Gustavo Fruet
O deputado federal Gustavo Fruet (PSDB) - um dos novos nomes em ascensão - ressalta que ainda há muito que acontecer até 2010. ''São muitas variáveis, é preciso ter calma.'' Mas Fruet não descarta a possibilidade de uma frente que aglutine grandes nomes. ''Daria para ter Alvaro, Beto e Osmar trabalhando juntos. Há espaço para isso. Temos disputa para governador, o vice, e duas vagas para o Senado'', pondera, sem dar força a uma recente declaração à imprensa, na qual ele afirmava que dificilmente o PSDB não teria candidato próprio ao governo do Estado. A declaração provocou a fúria de membros do PDT de Osmar Dias, que ainda tentam evitar um racha na frente de oposição no Estado.
Flávio Arns
O senador Flávio Arns (PT) também desconversa sobre seu futuro na política. Aparentemente, a idéia de concorrer à reeleição nem sequer é cogitada. Ele dá pistas que indicam outra direção. Arns diz estar ''muito satisfeito'' com a atual atividade, em que representa, prioritariamente, minorias como portadores de deficiência e grupos ligados a Igreja, jovens e agricultura familiar. ''Gosto muito de estar ligado a estes movimentos sociais. Me sinto estimulado. Reconheço que nunca tive vida partidária muito atuante. Acontece que a militância social não combina com atividade política, e para mim, a política traz realização na medida em que me permite contribuir para mudanças efetivas na sociedade'', observa.
Para completar, o senador faz críticas ao partido, revelando que sua relação com a sigla segue complicada. ''O PT do Paraná enfrenta dificuldades e não se consolidou como gostaríamos. O pessoal da base é batalhador e respeitado, por isso mesmo acredito que, fora do período eleitoral, o partido precisa se repensar, refletir e se aprimorar para realmente voltar a dialogar com a sociedade e refletir seus anseios'', finaliza. (Colaborou Vanessa Navarro)

mockup