Mais antigas, duas ocupações vizinhas, localizadas no bairro de Caiuá, viraram as vilas Vitória de Santa Edwiges e Pedro Machado. Lá vivem, há quatro anos, mais de 220 famílias em casas construídas, quase todas, de alvenaria. No entanto, a mesma dificuldade para regularizar os terrenos impede que a comunidade disponha de saneamento básico.
''A luz chegava através de gato, até duas semanas atrás, quando a Copel instalou. Foi preciso muita luta para a gente pagar nossa conta de luz'', comemora a vice-presidente da associação de moradores das vilas, Nely Luiza Zvinokervicz, 39 anos, que é dona de casa.
''Temos água em casa, só que é ligação clandestina da rede. Fizemos pouco tempo depois que houve a ocupação. A Sanepar já veio desligar umas três vezes, mas a gente vai lá no registro, o 'gatão', e liga de novo. A gente queria regularizar tudo, mas a Sanepar diz que só vai fazer o abastecimento de água depois que a gente assinar contrato com a empresa de regularização fundiária Terra Nova'', disse o marido de Nely, o zelador Marcos Antônio, 39 anos.
''Queremos pagar nossa conta de água, igual a de luz. A gente quer tudo certinho. Só que não aceitamos a proposta dessa empresa, que apareceu aqui depois que construímos tudo, além do que essa é uma área em execução fiscal pela Prefeitura'', pontua Nely, dizendo que, por enquanto, a água que chega na torneira de casa é suficiente para todas as atividades domésticas. A assessoria de imprensa da Sanepar esclarece que ainda não foi implantada a rede de água e esgoto para 251 famílias nas duas vilas porque a companhia aguarda a liberação de recursos para executar as obras.
Nada tem a ver com a Terra Nova, que era uma empresa contratada pelo governo para fazer a regularização fundiária no local - outras instituições do Estado estão envolvidas agora. A Sanepar pleiteou recursos junto ao BNDES e ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no valor de R$ 63 mil e R$ 279 mil, respectivamente, para fazer as ligações de água e esgoto. Se forem liberados os recursos, serão feitas as ligações individuais. Independente disso, a Sanepar providenciará medidores para substituir os 'gatões', que oferecem risco de contaminação da água por esgoto e águas de chuvas. (F.G.)

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