Curitiba - Ricardo Simette, 28 anos, é um dos dentistas que trabalha na área de cirurgia buco-maxilo-facial no Hospital Erasto Gaetner, atendendo pacientes com neoplasias (tumor) na região da boca. Hoje ele cuida de pacientes com câncer. Mas há 15 anos Simette entrou no Erasto por outra razão. Com 13 anos de idade, ele teve um linfoma (tumor que atinge glândulas) no pescoço. O dentista conta sua história depois de passar por dois anos de tratamento bem-sucedido.
‘‘Eu apresentei um pouco de rouquidão por uns 15 dias e daí minha mãe percebeu um nódulo no meu pescoço. Fui a um médico e ele me encaminhou a um oncologista’’, conta. Simette fez quimioterapia e conta que chegou, por algumas vezes, a ficar uma semana internado fazendo o tratamento. ‘‘Apesar de tudo eu não parei de ir à escola. Tive problemas de faltas, mas os professores foram compreensivos. Nessa fase a compreensão e o amor da família são fundamentais’’, conta.
Para o dentista, a maior dificuldade é mesmo o tratamento em si, que muitas vezes debilita o paciente. ‘‘Mas tem que pensar que é um momento difícil, mas que você vai ter retorno daquilo. Ser bastante otimista é uma grande parte do tratamento.’’ Atualmente, o risco de Simette ter um câncer é o mesmo de qualquer outra pessoa. Todo o tratamento do dentista foi realizado pelo Sistema Único de Sáude (SUS). E hoje Simette atende pelo SUS no hospital.
‘‘Minha opção tanto pela profissão quanto pelo local de trabalho não foi necessariamente por causa da doença. Foi tudo uma questão de interesse, inclusive a escolha do hospital, já que eu já estava familiarizado lᒒ, conta. Simette já trabalha há quatro anos no Erasto Gaetner. ‘‘O mais legal é quando os pacientes sabem que você passou por aquilo. É um estímulo porque eles vêem que realmente tem cura.’’ E Simette alerta: ‘‘O que mais conta é a descoberta precoce.’’ (A.B.)

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