Se você não organizou a sua Festa Junina deste ano, não se preocupe, ainda dá tempo. No próximo sábado, dia 30, muitos retardatários vão aproveitar o último dia do mês para se vestir de caipira, pendurar as bandeirinhas no teto e tirar da gaveta o CD com músicas típicas. Afinal, sexta-feira é dia de São Pedro e dá para prorrogar a comemoração até o final de semana. Ou então relaxa, hoje em dia tem muita gente que leva a folia caipira para julho: as já quase tradicionais ''Festas Julinas''.
Pela grande procura que teve um curso de culinária junina, anteontem, no Sesc/Centro de Curitiba, percebe-se que o tema ainda rende um bom caldo, quer dizer, uma boa canjica. Talvez um delicioso prato de Pé-de-moleque Caramelado, ou então de Cocada de Maracujá, dois dos pratos que a culinarista Crestyane Cordeiro ensinou quase 80 pessoas a preparar.
A Junina é uma das festas populares mais tradicionais da nossa cultura. O nome junina remete ao mês de junho, quando homenageamos três santos católicos, Santo Antônio (13 de junho), São João (24 de junho) e São Pedro (29 de junho). Mas para alguns historiadores, ela ganhou o nome junina porque teve origem nos países católicos europeus e era uma homenagem a São João - tanto que no início era chamada de Joanina. A festa foi trazida para o Brasil pelos portugueses e logo foi incorporada aos costumes dos povos indígenas e negros.
Em razão da época propícia para a colheita do milho, as comidas feitas com esse ingrediente integram a tradição, como a canjica e a pamonha. ''A culinária junina é bem simples, feitas com as coisas produzidas nos sítios e fazendas, como milho, fubá, amendoim, coco'', conta Crestyane. Como acontece em uma época do ano em que as temperaturas estão mais baixas, os ingredientes utilizados são mais calóricos e geram mais energia.
Segundo a culinarista, os salgados predominam nas Festas Juninas, como a pipoca, o amendoim e o pinhão. Mais os doces, como os bolos, conservas e os famosos pé-de-moleque e paçoquinha, são os mais lembrados. ''Essa é uma tradição que não vai morrer nunca'', acredita a professora do Sesc. No caso da culinária, as pessoas estão se interessando um buscar algumas variações, como acrescentar o maracujá à cocada ou caramelizar o pé-de-moleque.
As festas juninas não impulsionam economicamente apenas as cidades do Nordeste famosas por essas comemorações, como é o caso de Caruaru (Pernambuco) e Campina Grande (Paraíba). Os supermercados registram um grande aumento na venda de produtos como pipoca, amendoim, rapadura, pé-de-moleque e vinho para quentão. Empresas como o BIG, de Curitiba, têm expectativa que este ano a venda desses itens cresça 15 por cento em relação ao mesmo período, no ano passado. Você vai encontrar nesta página as receitas da Cocada de Maracujá e do Pé-de-Moleque Caramelado, cedidas por Crestyane Cordeiro.


Cocada de Maracujá

Ingredientes:
- 500 gramas de coco ralado
- 500 gramas de açúcar refinado
- polpa de dois maracujás
Preparo:
Leve tudo ao fogo e mexa até que comece a secar. Unte um prato com margarina e coloque as cocadas com ajuda de uma colher. Deixe secar bem. Rendimento: 25 cocadas.


Pé-de-moleque Caramelado

Ingredientes:
- 500 gramas de açúcar refinado
- 500 gramas de amendoim torrado
- 1 colher (sobremesa) de bicarbonato de sódio
Preparo:
Faça um caramelo com o açúcar na panela. Junte todo o amendoim. Continue mexendo em fogo baixo até amolecer novamente. Retire do fogo. Junte o bicarbonato e misture. Despeje em um tabuleiro untado ou em uma mesa de mármore untada com margarina. Quando estiver morno, corte os quadradinhos com uma faca afiada. Rendimento: 50 quadrados pequenos.

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