Delegacia especializada resolve 98% dos casos
Criado pela Resolução nº 698, de 31 de julho de 1995, o Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) trabalha com estrutura suficiente para atender todos os chamados que chegam à delegacia. A delegacia é subordinada à Secretaria de Segurança Pública (SESP) e tem à disposição todo o aparato da polícia quando um caso de desaparecimento de criança, entre zero e doze anos incompletos, é registrado. Em todos estes anos de trabalho, dos 817 casos de desaparecimento de crianças, o Sicride conseguiu resolver 98%. Hoje, 21 crianças estão desaparecidas, sendo 12 casos antigos herdados pelo órgão.
A busca, de acordo com a delegada responsável pelo Sicride, Márcia Tavares, é feita de imediato. ''A partir da comunicação, já saímos em busca da criança para que ela seja encontrada com vida''. Em 70% dos casos, as crianças fogem de casa. Os outros 30%, segundo a delegada, são crimes. ''Nesses casos, a maioria das crianças desaparecidas é vítima de homicídios''.
Atualmente, 21 crianças estão desaparecidas no Estado. No ano passado, dos 112 casos de desaparecimentos registrados no Sicride, quase 8% foram de homicídio. Seis crianças foram encontradas mortas e apenas uma continua desaparecida. ''É um número alto, que precisa ser combatido'', declara a delegada.
Os casos atuais, conforme a delegada, são prioridade para o Sicride. ''Quando temos a notícia de que uma criança desapareceu, suspendemos imediatamente a investigação dos outros casos e damos prioridade para o atual''. A urgência justifica-se por causa da necessidade de resgatar a criança com vida.
O mesmo acontece quando surge alguma novidade nos casos. Em relação à informação repassada à família de Luana de que um caminhoneiro foi preso com uma menina, o Sicride está investigando. ''Não podemos dar informações até mesmo porque elas são sigilosas, mas uma equipe está checando esses dados que a família nos forneceu''.
Sem divulgar números, a delegada afirma que o trabalho é feito por pessoal especializado e com total autonomia, o que facilita o serviço. ''O mais gratificante é quando conseguimos devolver uma criança viva para a família. A criança resgatada cria um vínculo com a polícia. Isso é o que vale a pena''.
Na região de Londrina, além de Luana, são procurados José Carlos dos Santos, desaparecido em 92, com 11 anos de idade. Os pais, que são de Maringá, trabalhavam na feira agropecuária no Parque de Exposição de Londrina, quando o filho desapareceu no meio da multidão.
Outra criança de Maringá é Ednilton Palma, o Niltinho, que desapareceu também em 92, a caminho da escola. Ele tinha 10 anos na época.(M.O)





