''Moro no Alto Boqueirão. Quando preciso pegar o ônibus, sinto dificuldades, porque para chegar até o tubo faltam guias rebaixadas. Se não consigo chegar sozinha, tenho que pedir ajuda para alguém'', reclama a assistente de recursos humanos Maria Luiza Passos, que é cadeirante. Ela não está sozinha: de acordo com a Associação dos Deficientes Físicos do Paraná, Curitiba e região têm aproximadamente 300 mil pessoas com algum tipo de deficiência.
O presidente da associação, Mauro Nardini, afirma que a capital paranaense ainda tem muito a melhorar no quesito acessibilidade. ''A cidade hoje é um canteiro de obras. A prefeitura tem o olhar voltado para a acessibilidade e há programas como o da revitalização das calçadas. A (Rua) Marechal Deodoro, comparando com o que era, melhorou muito, por exemplo. Mas ainda existem dificuldades, como calçadas tombadas pelo Patrimônio Histórico, que são difíceis de transitar não só para os cadeirantes, mas para qualquer pessoa. Das calçadas em geral muitas são cheias de obstáculos'', critica.
Nardini, que também é cadeirante, cita outros problemas: dificuldades de acesso a museus, bancos, prédios públicos, estabelecimentos comerciais, carência de banheiros adaptados em praças e terminais de ônibus. ''Quando vou com minha esposa fazer compras, às vezes fico do lado de fora da loja porque não tenho como entrar. Você não tem a mesma igualdade de oportunidade'', explica.
''Eu diria que Curitiba está bastante avançada no sentido da acessibilidade. É claro que há muita coisa a ser feita, mas há um esforço. Recentemente, foram entregues 135 ônibus adaptados para pessoas com deficiência. Ao todo, 65% da frota está adaptada'', diz Nardini. O presidente da associação explica que o Decreto Federal nº 5.296, de dezembro de 2004, estipula regras para a promoção da acessibilidade de pessoas com deficiência física, auditiva, visual ou mental e/ou com mobilidade reduzida.
O documento estabelece vários prazos para diferentes tipos de adequação. Nardini aponta que o prazo para que seja garantida acessibilidade a edificações de uso público já existentes, por exemplo, venceu este ano sem ser respeitado em várias situações. ''A fiscalização cabe à prefeitura e ao Ministério Público, mas por iniciativa própria não agem. É necessário denunciar'', afirma Nardini. ''Ainda existe uma falta de entendimento muito grande do conceito de acessibilidade. Ele deve partir desde quem planeja uma obra, que precisa ter em vista a universalidade de acesso. No futuro, envelhecendo, qualquer pessoa pode ter alguma dificuldade de locomoção''.

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