DEFESA - O guardião das profundezas
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de setembro de 2010
Sergio Ranalli<BR>Editor de Fotografia 
Rio de Janeiro - Alagamento na máquina, alagamento na máquina, frases que parecem sem sentido e não causam medo em ninguém. A não ser que você esteja dentro de um cilindro de aço, com espessura de 2,5 polegadas, mergulhado 50 metros abaixo do Atlântico. Assim que os fonogramas inundam o submarino de guerra brasileiro Tupi com o alerta e uma série de sirenes de emergência começam a tocar, os 41 homens a bordo iniciam uma luta contra o tempo para manusear válvulas e comandos, numa tentativa de levar rapidamente à superfície um navio de 1550 toneladas. Se algo der errado, a morte pode
estar tão perto quanto o quanto o fundo do mar.
Felizmente a situação acima não passou de mais um exercício de alagamento na máquina com superfície em emergência para adestramento da tripulação. A FOLHA embarcou no submarino Tupi, da Marinha do Brasil, para conhecer como funciona e como vivem os tripulantes dessa classe especial de navios e foi um dos raros veículos de imprensa que acompanharam um treinamento desse tipo.
O Brasil possui cinco submarinos diesel-elétricos; até 2023 serão dez, sendo um deles com propulsão nuclear.
Essas máquinas de guerra são fundamentais para o Brasil ter poder de dissuasão, preservando a soberania nacional e garantindo a tranquilidade e segurança no trânsito de embarcações da marinha mercante, nas plataformas de exploração de petróleo e evitando que barcos pesqueiros estrangeiros, não autorizados, devastem a fauna marinha nos 3,5 milhões de quilômetros quadrados da Amazônia Azul. O Brasil reivindica perante a ONU a ampliação para até 4,5 milhões de quilômetros quadrados. Essa gigantesca área marítima equivale a praticamente metade do território terrestre nacional sendo tão importante quanto a Amazônia verde em termos ambientais e comerciais.
Mensurar o valor dos 4,5 milhões de quilômetros quadrados de oceano é impossível. Mas sua importância é indiscutível quando observado que 95% dos produtos que compõe o comercio exterior do Brasil (somas das importações e exportações) passam pelo Atlântico. Em 2009, foram retirados 585 mil toneladas de pescados na Amazônia Azul, rendendo mais R$ 1,7 bi para a indústria pesqueira. Além disso, quase 90% do petróleo brasileiro é explorado em área marítima, ressaltando ainda as recentes descobertas
de petróleo na camada
do pré-sal.
Paraná
Apesar de ter um litoral pouco extenso o Paraná é uma importante região de patrulhamento. O Paraná tem um litoral não muito grande, mas importantíssimo para o País, pois é um estado extremamente desenvolvido no contexto nacional, com um porto, Paranaguá, que tem um movimento altíssimo de carga. É uma área que patrulhamos constantemente, revela o comandante da Força de Submarinos, o contra-almirante Celso Luiz Nazareth.


