Há quatro meses, Neusa Altoé, 47 anos, enfrenta no dia-a-dia as dificuldades de administrar uma das maiores universidades do Paraná, a Universidade Estadual de Maringá (UEM). Problemas não faltam, mas ela, que é a primeira reitora do Estado, tenta resolvê-los com uma boa dose de conhecimento, poder de negociação, sensatez e, acima de tudo, muita paciência e otimismo.
Eleita reitora em agosto do ano passado, Neusa assumiu o cargo no dia 10 de outubro. Desde então, ela vem mantendo uma postura de defesa do ensino público gratuito e com qualidade. Foram estas as bases do seu programa de administração durante a campanha para o cargo, e são estes os objetivos que ela persegue, apesar das inúmeras tentativas de privatização do ensino superior. Entre uma investida e outra do governo do Estado para privatizar as universidades públicas, é cada vez mais difícil administrar estas instituições. Neusa sabe disso e vem convivendo há meses com a falta de recursos financeiros para novos investimentos. Mesmo assim ela não desanima.
Enquanto o governo fala em corte de 10% dos gastos das universidades públicas, Neusa fala em aumentar o número de vagas para alguns cursos já oferecidos na UEM e também na criação de novos cursos. ‘‘Só vamos precisar de recursos para a construção de salas de aula e compra de equipamentos’’, justifica. Segundo ela, a universidade conta hoje com um corpo de docentes suficiente para a criação de outros cursos’’. A criação de novos cursos ainda é um projeto, mas não será a falta de recursos e muito menos a proposta do governo de tentativa de privatização da universidade, segundo Neusa, que vão abalar os planos de expansão da UEM.
Divorciada, mãe de Melca, 10 anos, e Matheus, 6 anos, Neusa admite que os compromissos da Universidade tomam boa parte do dia, mas ela assegura que consegue reservar algumas horas para o lazer com a família. As horas a mais de trabalho por dia não são novidade para Neusa, que antes de assumir a reitoria, foi vice-reitora da UEM e já convivia com as inúmeras reuniões com representantes da comunidade e audiências com secretários e o governador.Marcos NegriniA reitora Neusa Altoé admite que a Universidade toma boa parte do dia, mas ela consegue reservar algumas horas para o lazer com a famíliaLucinéia Parra

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