Defeitos e qualidades
No último livro do escritor e jornalista Dante Medonça, 58, ''Curitiba: Melhores Defeitos e Piores Qualidades'', a cidade é o espaço percorrido de táxi no valor de R$ 15,00, a partir do Centro. Desde que casou com a jornalista Maí Nascimento, há 26 anos, ele mora no mesmo endereço na Rua Augusto Stellfeld. Onde há tempos também é seu local de trabalho. ''O Centro oferece qualidade de vida superior. Tem gente que acha melhor morar em Santa Felicidade. Mas aí precisa pegar o carro para comprar uma caixa de fósforo. Que graça tem passar a vida vendo grama crescer'', compara ele.
''Frequento só um boteco, o Distinto Cavalheiro, porque fica a uma quadra de casa. Daí já acabo com a aflição da Lei Seca'', brinca Dante Medonça. ''O Centro da cidade tem que ter batedor de carteira, ladrão, puta e um barzinho na esquina. O problema do Centro é a falta de moradores e os shoppings centers'', disse. ''Tem adolescente em Curitiba que não conhece a Rua das Flores. Está abandonada, decadente, quase sem boas lojas, assim como a região do Guadalupe, que é a zona portuária de Curitiba'', critica ele.
''Há uma tendência em revitalizar o centro das grandes cidades do mundo, como Nova York e Milão. Os centros estão se degradando porque as pessoas saem para morar nos bairros. Se tem gente andando nas ruas, se apropriando do espaço, tem menos ladrão. Veja, que o pior lugar para se morar em Curitiba é o Centro Cívico. Lá, à noite, é um deserto'', explica Dante, que da janela aponta para a casa ao lado, dos pais de Maí, onde ela morou toda a vida.
''A casa ficou pronta em 1956, antes morei na casa dos meus avós, na Rua 24 de Maio. Sou Bicho do Centro. Minha mãe mora aqui até hoje. Ela tem 84 anos e vai em todas as lojas que abrem na região se apresentar, gosta desse contato próximo. Todo mundo conhece dona Luzinha. Hoje o Centro é um bairro velho, local de comércio e poucas residências'', observa Maí Nascimento, 57. ''Aqui só mora gente idosa, que permaneceu devido a ligação afetiva com o lugar, porque a casa veio como herança de família'', completa ela. (F.G.)





