Dedicação profissional foi marca do ensino londrinense
Dificuldades materiais e dedicação profissional foram as principais marcas do ensino público de Londrina nos primeiros anos após a fundação, em dezembro de 1934. A falta de equipamentos era suprida pela competência das professoras da época, que enfrentavam desde a dificuldade para chegar na escola até o número insuficiente de profissionais para atender à demanda crescente. Adversidades que, 70 anos depois, ainda afligem o setor na cidade.
Um dos exemplos de dedicação ao ensino público em Londrina é a carreira da professora Francisca Garcia Freitas. Aos 77 anos, ela relembra com saudade do início do trabalho como educadora no Grupo Escolar da Vila Casoni, um dos pioneiros da cidade. As lembranças sobre o primeiro dia na escola do bairro permanecem até hoje na ponta da língua da professora Chica, como prefere ser chamada: 1 º de agosto de 1947. O emprego foi conseguido à custa de muita coragem, pois Chica ainda não havia concluído a Escola Normal, equivalente ao magistério da época.
Ela conta: ''Procurei o chefe Newton Guimarães, então responsável pela educação no município, para conseguir trabalho, pouco depois de entrar na Escola Normal. A resposta foi a melhor possível: 'Você chegou na hora certa. Nós estamos procurando professores para um Grupo Escolar na Vila Casoni e nada melhor do que você que já está fazendo o curso'.''
O início da carreira, no entanto, não foi feito somente de boas recordações. Ao chegar na escola, a professora Chica teve uma surpresa bastante desagradável. Praticamente só as paredes estavam em pé. O resto, inclusive as carteiras, estava tudo pelo chão. A solução foi colocar a mão na massa e organizar a escola, com ajuda inclusive dos alunos mais velhos.
Após dois anos dentro da sala de aula e a formatura na Escola Normal de Londrina, a professora Chica recebeu um convite que modificou o rumo da carreira profissional dela. Foi nomeada pelo chefe Newton como secretária da escola. Eventualmente, atuaria como professora substituta. ''Estava acostumada a administrar, já que trabalhava no comércio, então não tive dificuldade no cargo de diretora'', comenta sobre o cargo, que ocupou durante 25 anos.
No período na direção do Grupo Escolar Willie Davis, nome recebido pela escola da Vila Casoni, a maior dificuldade encontrada pela diretora foi a falta de professores. ''Se num ano 30 eram contratadas por concurso de uma só vez, no ano seguinte não havia sobrado mais ninguém. As professoras preferiam tentar transferência para as escolas do Centro da cidade, onde a maioria morava, nos prédios das atuais Marcelino Champagnat, Hugo Simas e Evaristo da Veiga.
Depois de 25 anos de magistério, Francisca Garcia Freitas decidiu retomar os estudos, ingressando no curso de história da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Em 1957, foi nomeada professora de história do Instituto Estadual de Educação de Londrina (IEEL), onde trabalhava havia seis anos. Tempos depois, aceitou convite para assumir a coordenação pedagógica geral da instituição. ''Em 1 º de julho de 1990, após 35 anos de IEEL, entreguei a chave para a direção. Dediquei 35 anos de minha vida ao IEEL, mas agora vou cuidar de meus interesses pessoais'', rememora. (F.R.F).





