Inaugurado em 1886, na época do saneamento urbano de Curitiba, o Passeio Público vive hoje uma nova tentativa de tornar o espaço atraente aos curitibanos. Promoção de atividades culturais, feira de produtos orgânicos e a movimentação constante de policiais militares e da Guarda Municipal dentro do parque são algumas das medidas que vêm colaborando para a revitalização do local.
  Presidente da Associação de moradores, proprietários, comerciantes e amigos da Praça Santos Andrade e do Passeio Público, Edeluz Maria Taborda Ribas Alves, vizinha do parque há 57 anos, lembra do tempo em que o Passeio Público era o principal local de encontro da cidade. ‘‘Era nosso quintal, onde a gente ia brincar, ver os bichos. Criei meus filhos no Passeio Público’’, conta Edeluz.
  De acordo com a presidente, a degradação que o Passeio Público sofreu nos últimos 15 anos teve início após o deslocamento dos vizinhos de maior poder aquisitivo em direção aos bairros e a implantação da linha do expresso na Rua Presidente Faria. ‘‘Virou um antro de marginais em função de a gente não manter a ocupação do espaço’’, explica a moradora. Segundo Edeluz, uma pesquisa realizada entre os 600 integrantes da associação apontou que a principal queixa dos moradores era quanto à presença de prostitutas, travestis, ladrões e traficantes no local.
  Diante desse resultado, a associação, em parceria com o poder público, tem incentivado a promoção de atividades culturais, esportivas e recreativas (como a Festa da Primavera realizada no último dia 22) buscando a revitalização do parque. E aos sábados pela manhã, o Passeio tem abrigado a Feira de Produtos Orgânicos. A associação também enviou uma carta à Secretaria de Segurança Pública do Estado, pedindo para que a Polícia Militar continue presente no local.
  O desafio agora, segundo Edeluz, é convencer as pessoas de que freqüentar o Passeio Público não é perigoso. ‘‘Ou você ocupa o seu espaço, ou ele vai ser mal ocupado. Tem pedidos que ficaram no ar e devem ser concretizados à medida que a freqüência aumentar. Os moradores da região precisam freqüentar e usar esse espaço que é seu para mudar esse perfil’’, defende Edeluz.
  Segundo a presidente, é difícil mobilizar o pessoal da área para participar. Dos 600 associados, apenas 50 são atuantes. Mas aos poucos a associação tem conseguido algum progresso. ‘‘Gente que pegava o carro para andar no Barigüi agora anda aqui’’, afirma Edeluz. De acordo com o comandante da 1ªCompanhia do 12º Batalhão da Polícia Militar, capitão Jefferson Silva, o constante fluxo de viaturas dentro do Passeio Público acabou com a ocorrência de furtos e roubos no local, e inibiu o tráfico de drogas e a prostituição praticados ali. ‘‘Realizamos abordagens constantes e eles acabam saindo naturalmente’’, explica o capitão.
  Para o diretor do departamento de Zoológico da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, órgão responsável pelo Passeio Público, Marcos Traad, durante muito tempo a dissociação da estrutura do parque foi um dos fatores que dificultou a solução dos problemas. A atual administração, segundo Traad, está centralizando as queixas para enviá-las às instâncias responsáveis e cobrar destas um retorno. O diretor também defende maior aproximação da comunidade com o Passeio. ‘‘Tem problemas como todos os parques de uma cidade grande. Com as atividades culturais buscamos mudar o perfil dos freqüentadores gradativamente. A mudança vai se dar ao longo do tempo se essa idéia tiver continuidade’’, avalia.

SERVIÇO
Passeio Público
Endereço: entre a Rua Carlos Cavalcanti, a Avenida João Gualberto e a Rua Presidente Faria, no Centro
Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 6 às 20 horas
Atividade permanente: Feira de Produtos Orgânicos, todo sábado, das 6 às 12 horas
Entrada franca
Informações: 3222-2742

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