Um terno para cada cinco habitantes é a média de produção mensal da confecção norte-paranaense Romano's. Alta produtividade? Também, mas a generosa proporção se deve principalmente ao tamanho da cidade em questão: estamos falando de Sabáudia (65 km a oeste de Londrina), com seus pouco mais de 5 mil habitantes.
A idéia pode parecer estranha para quem está acostumado a associar a fabricação em série de peças mais sofisticadas aos grandes centros econômicos. Pois mais surpreendente é saber que da modesta e quente cidade do interior saem ternos que vestirão com elegância homens não só do Paraná, como também de Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso e Rondônia, só para citar alguns destinos da produção.
''Nas vitrines, um terno nosso não faz feio ao lado de nenhum Armani'', garante Dilson Miliorini, comparando sem modéstia a sua Romano's com a grife do italiano Giorgio Armani, referência de elegância em todo o mundo. Miliorini é de Maringá, mas garante que emprega mão-de-obra 100% sabaudiense. São 46 funcionários apenas quatro homens responsáveis por cortar, montar, costurar, arrematar, cuidando de todo o processo de confecção de aproximadamente mil ternos por mês.
A oportunidade de emprego veio em boa hora para pessoas como Aparecida Alves de Souza, 34, e Fernando Moreira, 19, ambos sem nenhuma experiência com costura. Ela, ex-funcionária de um açougue. Ele, pedreiro que trabalhava com o pai. Aparecida já completou um ano e meio de trabalho na fábrica, provando ser capaz de aprender rapidamente alguns segredos da confecção de uma peça que exige tratamento impecável. ''Meu trabalho é marcar as peças, pregar botões, engomar. Tem que ter muita precisão, porque se errar tem que trocar a parte inteira'', explica.
Fernando entrou para o quadro de funcionários por intermédio da mãe, Isabel Moreira Alexandrino, 44, empregada da fábrica desde o primeiro ano de funcionamento, em 2000. A costureira já fazia moletons e lingeries na própria casa, mas preferiu um emprego mais estável para sustentar os quatro filhos. ''Bem melhor assim, porque você chega no final do mês e tem o dinheiro garantido'', observa.
Apesar de ter trocado o peso das construções pela habilidade das costuras, Fernando admite que a peça elegante que ajuda a confeccionar ainda está bem distante de sua realidade. ''Nunca usei terno, nem conheço ninguém que use. Com esse calor, até prefiro uma camiseta'', afirma. O colega Cléber José Sbornan, 23, concorda que o clima quente não favorece o uso da vestimenta, mas diz que aprendeu a gostar do terno e vesti-lo em ocasiões especiais. ''Eu mesmo cortei o meu'', gaba-se.
Segundo Miliorini, a presença da fábrica vem incentivando moradores de Sabáudia e cidades próximas a adquirir a peça. ''Pessoas que nunca tinham usado um terno estão comprando aqui, até pela facilidade de vir pessoalmente'', explica.
O proprietário afirma que grande parte dos homens ainda relaciona ternos com festas, mas aponta que já houve uma mudança acentuada nesse conceito. ''O homem está mais vaidoso e o terno melhora muito a apresentação da pessoa'', ressalta. A clientela preferencial da fábrica, contudo, continua sendo formada por executivos e evangélicos.
A Romano's é um exemplo clássico das dificuldades enfrentadas pelos pequenos empresários brasileiros. A confecção cresceu bastante desde sua criação: a produção passou de 250 ternos por mês para mil e o número de empregados aumentou de 10 para 46. No entanto, Miliorini afirma que o lucro ainda não é proporcional.
''Eu vendi a casa onde morava para montar a fábrica e aluguei outra. A maior prova de que ainda não tive grande lucro é que continuo pagando aluguel até hoje'', afirma. Miliorini engrossa o coro dos empresários revoltados com a falta de incentivos econômicos às pequenas empresas, que se defrontam com juros altos e uma lista de exigências que inviabiliza a obtenção de financiamentos.

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