De raiz ao plástico
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Vinícius Zanin<BR>Especial para a FOLHA 
Uma ideia que virou projeto e um projeto que virou solução. Este foi o caminho percorrido pela professora Lyssa Setsuko, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTF-PR), que após série de pesquisas conseguiu desenvolver o biofilme, uma substância feita à base de amido de mandioca capaz de substituir o uso de materiais sintéticos.
O nome parece complicado, mas quando visto de perto, ficam claros quais são os objetivos da professora. O produto tem a mesma consistência que a de uma placa de plástico, bem fino, desses que se encontra no supermercado. É transparente e tem a aparência idêntica a de uma embalagem comum. O diferencial é que esse material é 100% biodegradável, ou seja, dissolve-se rapidamente e não prejudica o meio
ambiente.
Há algum tempo já se vem buscando alternativas para o desenvolvimento de filmes que apresentem as mesmas propriedades dos feitos à base de petrolíferos. Existem alguns polímeros sintéticos e biodegradáveis. Porém, existem polímeros que têm origem agropecuária, como é o caso do amido, que também poderiam ser utilizados para elaboração desses filmes. O que seria muito mais interessante, explica.
O projeto começou em 2002 e os procedimentos tecnológicos são desenvolvidos todos aqui, em Londrina. O biofilme ainda está em fase de testes, porém já tem aplicação importante no meio agrícola.
Ainda devem ser feitos estudos para melhorar as propriedades do material, mas a técnica utilizada permite uma estrutura ao biofilme que adere à superfície dos frutos, funcionando como capa protetora contra ataques de microorganismos, perda de água etc. Mesmo que o biofilme à base de amido não tenha propriedades mecânicas iguais a de um plástico, ele funcionou muito bem, explica Lyssa.
Além disso, ela trabalha nas propriedades do material que, até então, não se mostrou muito resistente, principalmente na água. Já existem alguns filmes biodegradáveis no mercado, mas ainda não são muito conhecidos. Nosso objetivo é desenvolver cada vez mais possibilidades para inserir de uma maneira mais rápida essa tecnologia na sociedade.


