Em uma mesa, o policial militar aposentado João Duarte controla um teclado, que movimenta seis câmeras espalhadas pelo loteamento Vitória Régia, na Cidade Industrial de Curitiba. O trabalho de ‘‘espiar’’ o movimento de casas e ruas é mais um aliado no combate à furtos e arrombamentos, que preocupavam 93% dos moradores em 2005. ‘‘Elas são muito úteis, já que pelas imagens podemos observar alguma movimentação suspeita e orientar a equipe de vigilância que está na rua’’, explica o presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) do Vitória Régia, Cirio Gomes Ferreira. O Conseg do bairro, aliás, serve como modelo de atuação para conselhos de outras regiões, já que conseguiu aliar união de esforços com voluntariado para resolver os problemas de segurança.
  Após a criação, em 2003, a primeira medida foi montar uma central de alarmes, que continua em operação. Cada morador que quer participar precisa apenas instalar sensores de movimento nas casas, para se conectar à rede de vigilância. Toda vez que o alarme dispara, uma equipe responsável pela ronda recebe uma mensagem pelo celular e vai até o local. As equipes são todas voluntárias, formadas por 14 membros do Conseg que trabalham nos horários em que estão disponíveis. ‘‘Quando começamos o trabalho, houve várias situações em que pegamos os ladrões e recuperamos objetos roubados’’, relembra o supervisor do departamento de segurança do Conseg, Luiz Vieira.
  Agora, com as câmeras, as ações ganharam mais armas. ‘‘Às vezes a imagem da casa em que o alarme está disparando está obstruída, com alguma construção na frente, mas podemos observar toda a área que está em volta e perceber se há alguém correndo ou algo semelhante, enquanto a equipe de rua está chegando ao local’’, conta João Duarte. De acordo com ele, outro fator importante é a inibição. ‘‘Se o cara está pensando em cometer alguma coisa, vai pensar duas vezes com a presença das câmeras’’, opina Duarte, que utiliza a experiência e o conhecimento adquirido em anos de trabalho como PM para contribuir com a comunidade. ‘‘É um trabalho voluntário e muito sério, que requer técnicas para identificar uma situação de risco e que precisa ser observada. E tem ajudado também o envolvimento dos moradores, que participam dando infor-mações’’, analisa.
  O custo da implantação das câmeras foi de aproximadamente R$ 100 mil, gastos com a instalação dos pontos de vigilância, cabos de fibra óptica e todo o sistema de controle. O dinheiro foi conseguido por meio de doações de comerciantes e moradores do próprio bairro. ‘‘Hoje a principal preocupação das pessoas é em relação à segurança, então esse investimento compensa, para trazer tranquilidade’’, opina o presidente do Conseg.

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