De louco a politicamente correto
Quase todo mundo lembra de Zequinha exercendo profissões. Era Zequinha Alfaiate, Ferreiro, Salsicheiro (vendia salsicha na rua), Amolador - ofícios existentes na Curitiba dos anos 30. ''Zequinha deu uma lição de profissionalismo e de personagens a Curitiba'', resume Wilson Sobânia, neto de Eduardo, um dos fundadores da fábrica A Brandina, que guarda em casa a lata original, em foma de barrica, onde eram vendidas as famosas balas.
Zequinha, na verdade, foi muito mais do que isso. As figuras retratam as mais diferentes situações, muitas delas nada politicamente corretas, como Vagabundo, Embriagado, Enforcado, Se Suicidando, Perneta, Ladrão, Louco, só para citar algumas. ''Ele é meio um anti-herói, mas são situações muito humanas, são situações que têm a ver com o dia-a dia das pessoas'', avalia o cineasta Carlos Henrique Tulio, diretor de um documentário sobre o personagem ''Zequinha Grande Gala''.
Para o design gráfico, Daniel Cordeiro, que abordou a relação entre as figurinhas Zequinha e a cultura popular em seu projeto de graduação, Zequinha fez tanto sucesso porque ''representava as pessoas de Curitiba daquela época.'' ''Eram situações contraditórias. Ele aparecia como herói, vencedor, mas também como vilão, atropelado, suicida, ladrão, viúvo'', cita.
Para estudiosos e amigos de Zequinha, essas características se perderam na edição da campanha do governo. Além de redesenhar o personagem, que passou a aparecer sempre sorrindo, algumas figuras foram adaptadas a novos temas, como ecologia, trânsito, etc. ''Eles pasteurizaram o boneco. Antes ele tinha várias expressões, daí passou a aparecer só sorrindo e não representava mais a realidade'', diz Daniel. (M.G.)





