De língua materna a idioma estrangeiro
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de junho de 2008
Caroline Vicentini<br>Reportagem Local 
Se antes o ensino da língua japonesa tinha objetivo específico de preservação da cultura e manutenção de uma identidade japonesa, atualmente, o domínio dos kanjis está muito mais ligado à questões pragmáticas, como garantir melhor qualificação no mercado de trabalho, seguir trajetória de dekassegui ou pleitear uma bolsa de estudos na Terra do Sol Nascente. Há alguns anos também é tendência crescente a procura pelos cursos de japonês por não-descendentes, motivados pelo interesse por elementos da cultura nipônica, tais como o animê (desenho animado) e o mangá (história em quadrinhos).
Mudanças educacionais e socioculturais determinaram esta situação. Segundo a diretora da Escola Megumi - que há 49 anos trabalha com o ensino da língua japonesa em Londrina - Rute Ayumi Sakai, aquelas famílias tradicionais, em que os nisseis conversavam em japonês em casa, foi sumindo e dando lugar às novas gerações, mais integradas à cultura brasileira. Com isso, diminuiu o apego à tradição e costumes e o número de descendentes que falam ou entendem a língua japonesa foi desaparecendo. Segundo um estudo publicado pela Universidade de Campinas (Unicamp), apenas 0,23% dos nikkeis falam atualmente o japonês.
A estudante Amanda Koshigoe, 15 anos, estuda a língua desde os cinco anos. Tive o contato com a língua desde pequena porque meu pai é japonês. Considero importante preservar a língua dos meus ascendentes, conta.
O recepcionista Thomaz Massato Takayama Kobayashi, 26 anos, ingressou no curso regular de japonês há dois meses. Trabalhando como dekassegui durante um ano sentiu o drama de não saber pedir o que estava no cardápio do restaurante ou o que comprava no supermercado. Por hora não pretendo voltar ao Japão, mas como trabalho no setor hoteleiro considero importante ter mais um idioma no currículo.
Neta de Aya Ono, a batyan Titoe do filme Gaijin - Ama-me como sou, que teve boa parte das filmagens realizadas em Londrina, Aline Ayumi, nove anos, estuda desde os cinco na Escola Megumi. Não acho fácil aprender a língua. Os kanjis são difíceis. Aprecio a culinária japonesa e os mangás. Um dia ainda vou ao Japão, revela.


