De igual para igual no mercado
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segunda-feira, 05 de setembro de 2011
Francismar Lemes <br> Especial para a FOLHA 
Eles venceram a barreira do vestibular e agora enfrentam o mercado de trabalho. Os primeiros profissionais formados pelo sistema de cotas da Universidade Estadual de Londrina (UEL) têm o mesmo desafio de outros jovens: buscar o primeiro emprego.
As cotas já alimentaram grandes debates e, mais uma vez, o assunto foi discutido na universidade, que eliminou a proporcionalidade nas vagas para cotistas. Com a decisão, 20% das vagas de todos os cursos serão destinadas para negros e 20% para os demais estudantes de escolas públicas. A decisão valerá a partir do vestibular 2013. A expectativa é elevar a concorrência entre os estudantes de escolas públicas e das vagas universais.
Gilberto da Silva Guizelin, 25 anos, e Renata Santos, 22, têm em comum mais do que serem da primeira e segunda turma de cotistas formados pela UEL, respectivamente. Os dois se destacaram como melhores alunos do curso.
Guizelin foi mais longe ao se formar em História, em 2008. O rapaz recebeu a láurea acadêmica de melhor aluno da turma e o título inédito na instituição de melhor aluno de todas as turmas. Ele já concluiu o mestrado e se prepara para o doutorado, passando ainda pelo desafio de todos os jovens: o mercado de trabalho.
Selecionado pelo Processo Seletivo Simplificado (PSS), Guizelin leciona em duas escolas estaduais de Londrina. ''Comecei recentemente e estou tendo uma boa resposta das escolas nas quais dou aulas. O mercado de trabalho quer sempre inovação e isso requer recém-formados corajosos para escolher o caminho e aceitar as escolhas'', afirma Guizelin.
Ao ser aprovado no vestibular da UEL, o estudante de Paraguaçu Paulista (SP), contou com o auxílio de bolsas da Fundação Araucária e do programa federal Afroatitude. ''As discussões sobre as cotas devem ser ampliadas. Abrir vagas não significa manter a pessoa de baixa renda na universidade'', destaca o professor.
A jornalista Renata Santos afirma que não teve dificuldade para entrar no mercado de trabalho. ''Porém, acho que poderia haver algum preconceito pessoal do empregador se considerar o vestibular como um mérito e não uma questão social'', avalia Renata.
Dados
Existem poucos dados sobre o sistema de cotas da UEL. É possível ter uma ideia do que representam ações afirmativas ao constatarmos que de 2005 a 2011, a universidade matriculou apenas 2.001 negros, 7.664 alunos de escolas públicas e 11.193 que entraram pelas vagas universais. A média de desempenho de cotistas e demais estudantes é a mesma.
A vice-reitora da UEL, Berenice Quinzani Jordão, destaca que as mudanças no sistema ampliarão o número de candidatos negros e que é preciso estudar meios para evitar a evasão desses estudantes.
''O sistema de cotas é uma das medidas que temos. Não basta favorecer o acesso à universidade, é preciso melhorar as condições de permanência desses alunos. Temos que fazer estudos para pleitear isso internamente e nas esferas competentes'', aponta a vice-reitora.


