Ricardo Simão, 29, pode dizer que vive uma dupla jornada. Há momentos em que ele é um guarda municipal entre 110 homens e quatro mulheres. Em outros, espanta os professores do curso de Pedagogia, que chegam cumprimentando as "meninas", e se deparam com um homem que, muitas vezes, vai à aula fardado.
No segundo ano do curso, Simão conta que foi difícil se adaptar à convivência com 70 mulheres. Para ele, pior que o espanto em ser o único homem em sala de aula é a descrença que alguns mostram sobre a real intenção do rapaz em concluir a faculdade. "As pessoas perguntam: ‘o que você está fazendo aqui, você quer dar aula?"’, conta.
A opção pela Pedagogia surgiu quando, depois de dois anos, na Guarda Municipal de Curitiba, cuidando da segurança pública, Simão começou a trabalhar em um projeto com 40 crianças de oito a 12 anos de idade, que moram na regional Bairro Novo, na Capital. "Senti dificuldade porque não tinha a linguagem, não tinha a parte pedagógica", lembra.
Ele afirma que, além de ajudar no trabalho desenvolvido com as crianças, a faculdade é um fator para o crescimento na Guarda Municipal e abriu uma nova possibilidade de trabalho: dar aulas. O futuro professor garante que pretende dar aulas para crianças do ensino fundamental e que os homens podem exercer a atividade sem nenhum problema. "Ainda é uma questão cultural de que mulher tem que dar aula", diz. Ele acredita que a principal diferença entre professores homens e mulheres é a disciplina. "O homem tem mais facilidade no controle da turma e a intervenção masculina é mais objetiva."
Já em relação às colegas mulheres de farda, ele também confessa que agora sabe o que elas sentem. "Sinto na pele, vejo como são tratadas. Eu me coloco no lugar delas." (C.G.B.)

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