Aos 80 anos, o japonês Takeo Matsubara apresenta uma jovialidade e uma força de vontade invejáveis. Radicado nos últimos anos em Itambaracá (Norte do Estado), Takeo Matsubara chegou ao Brasil com seus pais em 1925, trabalhou duro e montou um grande império, que prosperou principalmente nos anos 80. Nessa década, ele era conhecido como o Rei do Algodão. Apesar de ter-se afastado dos negócios da família há alguns anos, Takeo prefere não descansar e tem planos para voltar a trabalhar, desta vez montando um pesque-pague.
‘‘Deus me deu saúde e o que vale é viver bem’’, costuma dizer Takeo, o mais velho dos oito filhos de Kanematsu e Komie, e o único nascido no Japão. Com simplicidade e uma memória que o faz lembrar de todos os detalhes e datas, ele não se cansa de contar histórias de sua imigração ao Brasil. ‘‘Desembarcamos no Porto de Santos no dia 30 de agosto de 1925’’, lembra. No mês seguinte, a família já estava na Fazenda Água do Bugre, em Cambará, onde todos trabalharam como colonos dos Barboza Ferraz durante três anos. ‘‘Ao todo, trabalhamos 18 anos como colonos em várias fazendas’’, informa.
Aos 26 anos, Takeo Matsubara, já na condição de líder da família, comprou a primeira propriedade, um sítio de 25 alqueires, onde se dedicou à criação de porcos - em dois anos, chegou a ter 360 cabeças. O cultivo de algodão começou por acaso. Ele conta que, nessa época, uma peste suína dizimou a sua criação de leitões ‘‘Só sobraram oito leitões’’, lembra.
Atordoado com uma dívida de 80 contos de réis que tinha de pagar (o sítio valia a metade disso), ele conta que resolveu arriscar tudo no algodão. ‘‘Era 8 ou 80, mas Deus é grande e consegui colher 300 arrobas de algodão’’, afirma. Daí em diante, os negócios começaram a prosperar, com os investimentos sempre foram voltados para o algodão.
Takeo Matsubara conta, empolgado, que a melhor fase foi entre 1975 e 1985. ‘‘Eu já plantei mais de 1.500 alqueires de algodão e tínhamos propriedades daqui até Assis Chateaubriand’’, lembra. A família possuía ainda fazendas também em Mato Grosso e Pará.
Tempo de ouroFoi nesta época também que ele ganhou o título de Rei do Algodão devido às atividades da Algodoeira de sua família, considerada um das mais produtivas do País. Quase no final da década passada, ele resolveu se ‘‘aposentar’’ e deixar os negócios da família com seus irmãos, filhos e sobrinhos. Sobre o time de futebol, formado nos anos 60 e que leva o sobrenome da família, ele prefere não fazer comentários. ‘‘Eu não mexo com futebol’’, justifica.
Satisfazendo principalmente uma vontade da mãe, na década de 70 Takeo resolveu adquirir a Fazenda Água do Bugre, onde passou a morar até alguns anos atrás. ‘‘Comprei no dia 10 de abril de 1972 e paguei 11 mil cruzeiros’’, relata. Esta mesma fazenda está sendo vendida pelos seus irmãos e o negócio deve ser concluído em breve. ‘‘Não vou dizer que não sinto nada com a venda, mas não adianta ficar lamentando. Vou erguer a cabeça e levar a vida para frente, como sempre fiz’’, ensina.
Takeo Matsubara afirma que conseguiu quase tudo na vida, acredita que viveu o suficiente, mas espera ‘‘não ser chamado tão logo por Deus’’. E dá provas que não pretende descansar tão cedo, ao comentar que há um ano está trabalhando na montagem de um pesque-pague. Ele garante que o negócio será inaugurado em setembro, já que, ressalta, não costuma deixar nenhuma de suas atividades pela metade.

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