No auge da cafeicultura, em 1962, o diretor da Associação Comercial de Londrina (ACL) Alfredo Fauro alertou: ''Será temeridade pensar que o café continuará a representar, daqui a alguns decênios, o importante papel de hoje''. Dever-se-ia investir em indústrias de transformação o capital que o café já proporcionara, sugeria. Os cafezais no Paraná, em 1,8 milhão de hectares, tinham produzido 21,4 milhões de sacas beneficiadas, 54,04% de todo o café brasileiro, quase o dobro da safra africana, três vezes a colombiana. Em síntese, um terço da produção mundial.
Um dos fatos contemporâneos era a computação ainda ''engatinhando'' no País, mas Florêncio Muniz fundou a Exactus S.A., inaugurada em 17 de novembro de 1962, com a finalidade de trazer o primeiro computador para Londrina. Por causa das dificuldades de importação e câmbio, ele conseguiu a façanha só em 1970, já com dois sócios.
Três décadas e meia após, Londrina acumula ''ativos tecnológicos'' em agroalimentos, informação, medicina, têxtil e design, principalmente. A cidade se transforma num pólo em que desponta a tecnologia da informação, ''um dos movimentos mundiais'', observa um dirigente de empresa.
''É uma linha promissora'', afirma Florindo Dalberto, presidente da Associação de Desenvolvimento Tecnológico de Londrina (Adetec), sem fins lucrativos e que interage com a iniciativa privada e o poder público. Dessa conjugação resultou a empresa Londrina Tecnologia de Informação (Lint), uma ''fábrica de softwares'' que qualificará pessoal para a SAP (alemã) e Satyan (indiana), que têm clientes em todo o mundo, incluindo multinacionais e bancos.
Segundo Cláudio Tedeschi, um dos diretores da Lint, a previsão é de 500 empregos no primeiro ano. Lembrando que a ''ferramenta SAP'' é líder mundial e no Brasil as empresas que formam 70% do PIB são usuárias, Tedeschi vê ''um potencial fantástico'' em termos de emprego, porque exige pessoas mais preparadas e há 100 mil universitários no eixo Cornélio Procópio-Maringá, segundo está informado. ''Saímos na frente. Agora é saber aproveitar, unir elos, formar gente e trazer mais empresas.''
Novos rumos
Coordenador de Difusão Tecnológica do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) nos primeiros anos 90, Florindo Dalberto participou da execução do Plano de Revitalização da Cafeicultura, que se converteu na auto-sustentação de pequenas propriedades diversificadas. Só racionalizando seria possível manter uma cafeicultura mínima, porém de alta qualidade e rentável depois da geada em julho de 1975, que destruiu no Paraná 200 milhões de pés e danificou drasticamente os restantes 700 milhões. Estava chegando ao fim o ciclo, sem que a ''Capital do Café'' tivesse acatado a sugestão de Alfredo Fauro. Apesar da expressão comercial e dos serviços, a cidade perdera a sua ''vertente'' principal.
Sem fazer comparações com a fase do café, Florindo Dalberto diz que a tecnologia do conhecimento representa uma nova economia, um novo padrão de empresas e produtos mundiais. E ''está muito bem encaminhada'', resultado do interesse de empreendedores, do poder público e do conhecimento acadêmico. ''Um novo enfoque.''
''O centro universitário cresceu muito, já é referência. As universidades atraem empresas de tecnologia, as empresas se instalando atraem mais estudantes para cursos universitários. É uma simbiose virtuosa, vamos dizer assim'', segundo o prefeito Nedson Micheleti.
Sem distinguir uma nova ''vocação'', porque Londrina ''é plural, ampla'', pelos outros setores de sua economia, o prefeito acha, porém, que ''o futuro está nessa matriz de desenvolvimento tecnológico''.
A tecnologia da informação já emprega 896 pessoas em Londrina, onde estão 68,9% das 110 empresas em dez municípios relacionados em diagnóstico divulgado em novembro pelo Arranjo Produtivo Local (APL), que completou um ano, e Sebrae. O total de empregados nas 110 empresas, das quais 77% são micro e pequenas, é de 1.176. Os demais municípios: Primeiro de Maio, Rolândia, Assaí, Cornélio Procópio, Apucarana, Cambé, Ibiporã, Bandeirantes e Arapongas.
Os principais mercados das empresas são os Estados do Paraná - 44,5%; São Paulo - 17%; e Santa Catarina, 6,9%. E 17,9% das empresas exportam, tendo a Europa em primeiro lugar (19%). Outros países importadores: Alemanha, Argentina, Chile, Estados Unidos, Paraguai e Uruguai.

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