Bela Vista do Paraíso já foi considerada a capital brasileira do boia-fria por concentrar um grande número de trabalhadores rurais temporários, sem vínculo empregatício. Mas, agora, a cidade caminha para uma nova etapa: a industrialização. A prefeitura comprou uma área para a implantação do primeiro Parque Industrial do município que, por coincidência, fica ao lado do Distrito de Santa Margarida, ligado à cidade pela PR 090.

Esse distrito, localizado a 3 quilômetros da cidade, chegou a enviar, há cerca de 30 anos, mais de 30 ônibus lotados com trabalhadores rurais para a colheita de café em lavouras dos estados de Minas Gerais e São Paulo. Considerando que cada ônibus transporta 40 pessoas, isto significa que pelo menos 1.200 pessoas deixavam Santa Margarida por ano para buscar trabalho em lugares distantes na época de colheita. E terminada a safra, os trabalhadores retornavam para seu lugar de origem à espera de uma nova temporada.

Hoje, a realidade é um pouco diferente. O distrito de Santa Margarida já não ''exporta'' tantos trabalhadores rurais. Se antes eram 30 ônibus, agora são no máximo dois, segundo estimativas oficiais.

Houve mudanças significativas também no aspecto urbano. O distrito, de certa maneira, se ''modernizou'' com a chegada de vários estabelecimentos comerciais, coisas básicas como padaria e farmácia, por exemplo, mas que antes não faziam parte da rotina dos moradores.

Neste contexto, só uma coisa não mudou em Bela Vista do Paraíso: a cidade continua ''exportando'' mão de obra. As pessoas já não buscam tanto o trabalho em outros estados, mas ainda deixam a cidade todo dia para trabalhar em cidades vizinhas, como Londrina, Cambé ou Rolândia, que ficam entre 40 a 60 quilômetros de distância.

A estimativa é que cerca de mil trabalhadores estejam nestas condições, ou seja, um número bem próximo do contigente que deixava Santa Margarida nas décadas passadas para trabalhar nos estados de São Paulo e Minas Gerais.

Com o incentivo à industrialização, a cidade começa a trilhar novos caminhos e objetiva com o empreendimento gerar novos empregos e absorver ao menos parte da mão de obra que hoje se desloca para outras cidades para garantir a sobrevivência. E desta forma, melhorar também a arrecadação do município.

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