É cada vez mais comum os casos de restrições ou alergias alimentares. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, estima-se que cerca de 5% das crianças tenham algum tipo de alergia. Além das questões de saúde, também há as restrições por causa de religião ou pelo estilo de vida da família.

Um dos desafios dos pais com filhos em idade escolar é controlar a alimentação no período em que estão na escola. As instituições de ensino particulares e públicas estão se adaptando a essa nova realidade. "É um diferencial a escola que demonstra esse cuidado e isso dá mais segurança para a família", comentou o diretor pedagógico da Escola Alfa, João Marcos Machuca.

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Quando um aluno tem alguma intolerância ou restrição a Alfa, em parceira com a família, faz as adaptações no cardápio. O serviço de alimentação é terceirizado, mas fornecido conforme recomendações do colégio. Mas os pais têm a opção de mandarem os lanches de casa.

Essa nova realidade também exigiu que os professores adaptassem as atividades de culinária para que todas as crianças possam participar. "É desafiador, mas um trabalho necessário", enfatizou o diretor.

A Escola Educativa também precisou se adaptar para atender os alunos com limitações alimentares. A merenda é preparada pelas cozinheiras do colégio sob orientação de uma nutricionista. A escola informou que consegue atender alunos com quase todo tipo de restrição. "Quando é alguma coisa é muito específica, por exemplo, o aluno não pode comer nada com farinha fica mais difícil. Mas procuramos nos adequar para atender a maioria das necessidades", explicou Nicole Napoli, do Departamento de Marketing da escola.

Estima-se que cerca de 5% das crianças
tenham algum tipo de alergia


A equipe de cozinha da Educativa passa por treinamento semestrais para aprender novas preparações e receitas. A unidade de ensino prepara o lanche das crianças com algum tipo de intolerância o mais esteticamente parecido com o dos demais alunos. Os pais que preferem mandar o lanche dos filhos precisam seguir um cardápio adaptado. A escola não permite alimentos industrializados e salgadinhos.

A professora Liliana Viani De Vecchi Saloio, 39, sempre pede o cardápio da Educativa e até foto dos lanches para tentar fazer igual para o filho Nicolas De Vecchi Saloio, 4. O menino está com refluxo e o médico homeopata aconselhou a retirada do leite e proteínas do leite. "Pesquiso receitas funcionais e tento fazer os lanches parecidos para ele não sentir vontade. A esfirra, por exemplo, faço de massa de batata-doce", contou. O filho já está entendendo que o leite faz mal e costuma recusar o produto. "Ele sabe que o leite faz dodói e, às vezes, pergunta se as coisas têm leite", comentou.

A questão nutricional já era uma preocupação de Saloio, antes mesmo de Nicolas ter refluxo. "Sempre fomos bem naturebas. Usamos adoçantes naturais, por isso sempre optei por mandar o lanche dele", afirmou. Segundo ela, a escola auxilia bastante nesse processo e a mãe está sempre em contato com a professora.

A criança pode participar do processo de escolha do lanche e ir se acostumando com o que lhe é permitido ou não comer
A criança pode participar do processo de escolha do lanche e ir se acostumando com o que lhe é permitido ou não comer | Foto: Anderson Coelho



PODER DE ESCOLHA
A filosofia da Escola Clover Montessori se baseia na autonomia, liberdade com limites e respeito pelo desenvolvimento natural das habilidades físicas, sociais psicológicas da criança. E a alimentação saudável e de qualidade está inserida nessa filosofia.

A escola limitou o uso de açúcar, reduziu o consumo de produtos processados e 80% das refeições são livres de glúten. O método montessori trabalha com as opções de escolha da criança. "Conversamos com ela e damos opções de escolha certas. Isso é importante para o fortalecimento emocional. Ela participa do processo de decisão", comentou Regina Mangeot, diretora pedagógica da Clover Montessori.

Os lanches para quem tem restrições médicas, religiosas ou de estilo de vida, são parecidos com os dos outros alunos. "A criança tem que se sentir perto de todos, mas com autorrespeito. Também trabalhamos com todos dando contexto à situação, trabalhando a preocupação com o amiguinho", disse Mangeot.

Frutas, salgados integrais e assados, sanduíches com pão sem glúten estão entre os lanches sugeridos para crianças com ou sem limitações
Frutas, salgados integrais e assados, sanduíches com pão sem glúten estão entre os lanches sugeridos para crianças com ou sem limitações | Foto: Gustavo Carneiro



NA LANCHEIRA
Frutas, salgados integrais e assados, sucos naturais, água de coco, sanduíches com pão sem glúten. Essas são algumas das sugestões de lanches da nutricionista Carla Regina Pires, professora do curso de Nutrição da UniFil.

As dicas, segundo ela, também servem para as crianças sem limitações na alimentação. "É importante sempre oferecer uma fruta e pensar em produtos mais saudáveis. Deve-se evitar o açúcar. Os pais precisam ficar atentos à composição dos alimentos. A escola pode preparar bolos sem glúten e deve-se evitar as coberturas", ensinou Pires.

Para as crianças vegetarianas e veganas, a nutricionista orienta uma dieta variada, principalmente com vegetais verde escuro que possuem cálcio e as oleoginosas como amêndoas e castanhas que suprem as proteínas da carne. Consumir as frutas e vegetais da época que têm mais sais minerais.

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