Curitiba não tem mar, mas tem bar. A supracitada frase do Leminski nunca fez tanto sentido. Os bares se diversificam, invadem os bairros e cada vez mais se tornam parte da vida local. Mas para cada nova casa aberta, pelo menos outras duas são fechadas.
A estatística está longe de ser precisa. Como também não é exato o número de estabelecimentos que funcionam na cidade. Segundo as entidades que representam o setor, são cerca de 15 mil, porém somados aos restaurantes. Seja como for, a opinião dos empreendedores é unânime: trata-se de um mercado que ainda tende a crescer.
As razões são muitas. Da economia aquecida (hoje nem tanto) à chegada de novos moradores vindos de outros estados, passando pelo desenvolvimento do turismo e dos negócios por aqui. Sem contar a carência de opções culturais, que empurra os curitibanos para os parques, cinemas e, é claro, botecos.
Atraídos por um certo glamour idealizado, muita gente tem se arriscado nesse tipo de empreendimento. Afinal, quem nunca pensou em abrir um bar (ou então uma pousada na praia) ''quando nada mais der certo''? É aí que mora o perigo. Sem experiência comercial ou administrativa, os aventureiros de plantão metem os pés pelas mãos e quase sempre terminam no prejuízo.
''As pessoas pensam que é fácil. Esse é o problema'', aponta a atriz e empresária Gabriela Carletto. Com o marido, João Lorenzon, ela comanda a ''rede'' Menina dos Olhos, hoje com cinco casas (uma delas em Londrina).
Em 2004, o casal se viu sem perspectivas profissionais e montou o primeiro espaço, com apenas R$ 5 mil emprestados pelo pai de João. Mas os dois já tinham uma certa experiência. Gabriela havia trabalho em hotéis e restaurantes e João teve um bar quando era mais jovem. Mesmo assim, levou praticamente um ano e meio para a casa decolar.
''Tinha dias em que já passava da meia noite e ninguém ainda havia entrado'', conta a dona. ''A nossa sorte é que não podia dar errado, pois o Menina era nossa última esperança'', admite.
Aos poucos, o boca-a-boca em torno do bar cresceu e novas oportunidades de negócios surgiram. Hoje, a rede funciona como uma empresa, com 130 funcionários, escritório próprio e um consultor terceirizado trabalhando todos os dias na parte financeira.
Para Gabriela, o êxito de uma empreitada dessas não se deve somente a fatores como atendimento, comida, música, ambiente, etc. Deixar a paixão um pouco de lado e se focar na administração é fundamental. ''Acordamos cedo, vamos ao banco, lidamos com fornecedores. É um trabalho como outro qualquer'', afirma.

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