O grupo Lanteri nasceu no final da década de 70, a partir de encenações da Paixão de Cristo no bairro Uberaba. O espetáculo foi crescendo ao longo dos anos, mudou de lugar algumas vezes e hoje mobiliza cerca de mil pessoas, entre equipe técnica, atores e figurantes. A encenação é vista por dezenas de milhares de pessoas na Pedreira Paulo Leminski.
  O diretor geral, Aparecido Massi, explica que, apesar da colaboração de atores profissionais, o foco continua sendo o trabalho em comunidade. ‘‘A gente sempre espera boa vontade e vai tirando o melhor de quem se dispõe a atuar’’, comenta.
  ‘‘Para os homens, a rotatividade dos personagens principais é de pelo menos dois anos. Para as mulheres, a rotatividade é maior porque elas aparecem pouco no espetáculo, aquele período histórico era meio machista’’, brinca Massi. O Lanteri diversificou sua atuação e conta no currículo com outros espetáculos, como autos de Natal, encenações de ‘‘Júlio César’’, de Shakespeare, e apresentações para treinamento em empresas. O grupo tem atualmente patrocínio da Fundação Cultural e da Secretaria Municipal de Turismo.
  O Exodus, do Barreirinha, também tem apoio da fundação. No ano passado, segundo estimativa da Polícia Militar, a encenação da Paixão de Cristo do grupo foi vista por cerca de 11 mil pessoas. ‘‘Já fomos assediados por pessoas que queriam tirar o espetáculo daqui, levar para o Centro. Mas a nossa ligação é com a comunidade do Barreirinha. Se sairmos da paróquia, será para um local próximo’’, garante Everson Bastos de Barros.
  Com uma estrutura menor, o Ágora, do Uberaba, nasceu da união de grupos de jovens da região, e hoje apresenta, além da encenação da Paixão de Cristo e outras peças religiosas, espetáculos com temáticas sociais e educativas. ‘‘Nosso trabalho é bem simples. O palco é emprestado pela Fundação Cultural e temos ajuda da paróquia e da comunidade local. Já nos propuseram fazer algo maior, mas não quisemos’’, diz o bancário Jhonatan Russiano de Carvalho, de 25 anos, integrante do Ágora.
  A encenação da Paixão de Cristo do grupo é vista por cerca de mil pessoas. ‘‘Não fazemos teste para escolher os atores. O que importa é a força de vontade’’, aponta Carvalho. (F.G.)

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