Ele tem nome de norte-americano e sobrenome de japonês, mas garante que é a cultura brasileira que tem influência direta em sua vida. Foz do Iguaçu (Sudoeste) que tem em sua população a mistura de muitas raças, possui pela primeira vez um prefeito nissei. Harry Daijó, 50 anos, filho de pai japonês e de mãe brasileira, administra uma das cidades mais importantes do Paraná, situada na região da fronteira Brasil-Paraguai. Daijó nunca antes havia ocupado um cargo público.
Daijó nasceu em Lavínia (SP), passou a infância em Araçatuba (SP) e a juventude em Paranavaí (PR). Seu pai é de Okinawa, no Japão, chegou ao Brasil em 1917, e se esforçou muito para que Harry e sua irmã fizessem curso superior. ‘‘Os imigrantes faziam questão que os filhos tivessem algum tipo de formação. Naquela época, todo imigrante queria que o filho se formasse em faculdade. Nisso os japoneses sempre foram muito insistentes’’, lembra.
Foi graças ao esforço e estímulo de seu pai, que em 1971 Daijó se formou em Direito. Chegou em Foz em 1972, para trabalhar na atividade agropecuária. Decidiu entrar na vida pública em 1992, quando se candidato a prefeito e perdeu. ‘‘Fui lançado de repente’’, justifica.
Em 1994, Daijó candidatou-se a deputado estadual e também não teve êxito. Somente em 1996 é que ele conseguiu sua primeira vitória, concorrendo à prefeitura. ‘‘Comecei a questionar o que eu tinha feito e o que eu ainda poderia fazer em prol da sociedade. Foi assim que decidi entrar para a política. Ainda sou um iniciante’’, explica.
Com a calma que é peculiar à maioria dos descendentes de japoneses, ele revela que a política já o decepcionou diversas vezes, mas que ao mesmo tempo ela é um desafio que o instiga a prosseguir. ‘‘A visão entre a verdade e a mentira é um grande desafio. Existe muitos interesses interpessoais. A manutenção do poder é uma coisa complicada’’, ressalta.
CostumesDaijó conta que se sentiu duplamente vitorioso nas eleições. ‘‘Ganhar eleição em território que quase não tem japonês é coisa muito rara, né?’. Dos costumes e hábitos nipônicos, Daijó admite cultivar muito pouco, ou quase nada. ‘‘O budismo, por exemplo, faz parte, mas não na minha casa. Sou casado com brasileira e por isso praticamente não cultivo quase nada dos costumes japoneses’’, diz.
Segundo ele, mesmo sem desenvolver hábitos do povo japonês, três características de sua personalidade demonstram bem as raízes de sua descendência. ‘‘A paciência, a perseverança e o pragmatismo são as minhas principais características. Isso eu herdei do povo japonês, que tem, por exemplo, uma paciência incansável’’, afirma.
Daijó também ressalta que a disciplina desenvolvida com o judô que ele começou a praticar aos 10 anos de idade, refletem até hoje em sua vida. ‘‘Aprendi a disciplinar minhas emoções e a utilizar isso sempre como uma alavanca no processo de vida e para o bem dos outros seres humanos’’, conta.
Para ele, os imigrantes pioneiros não tiveram somente uma vida sofrida e conseguiram vencer, mas também contribuíram para que seus descendentes depois pudessem se orgulhar de suas raízes. ‘‘A maioria dos imigrantes era gente humilde. O esforço e o reconhecimento dos nossos pais foi muito importante porque deram aos filhos a credibilidade e a honestidade que são imagens marcantes dos descendentes’’, acentua.

FOZ DO IGUAÇU
Localização: Sudoeste
Distância de Curitiba: 658 Km
População: 242.000
Eleitores: 141.758
Prefeito: Harry Daijó
Filiação: Rosa e Takamide Daijó
Naturalidade: Lavínia (SP)
Idade: 50 anos
Formação: universitária
Profissão: advogado
Partido: PPB
Votos obtidos: 35.642
Mandato: primeiro

FORMOSA DO OESTE
Localização: Noroeste
Distância de Curitiba: 600 Km
População: 10.500
Eleitores: 8.540Ney de SouzaCaso raroHarry Daijó: vitória em lugar de poucos japonesesEdna Mendes

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