Lúcio Flávio Moura Especial para a Folha
Harry Daijó (PPB), 51 anos, tem o privilégio de conduzir os destinos de Foz do Iguaçu na passagem do século. O prefeito é um entusiasta dos projetos que prometem tornar a cidade o epicentro de uma região que será transformada com a consolidação do Mercosul e a entrada em operação da Hidrovia Tietê-Paraná-Rio da Prata, primeiro passo para a abertura de um verdadeiro ‘‘mar interior’’ dentro da América do Sul.
Nesta entrevista, Daijó fala sobre as oportunidades de Foz nesse novo contexto e sobre o envolvimento da cidade com a Copa América, o maior presente nas comemorações de seus 85 anos de existência.
Folha - Quais são as ambições de Foz para a entrada do novo milênio?
Daijó - Foz será um grande pólo turístico e econômico. Será mais: um indutor de desenvolvimento do Paraná e do Brasil. A consolidação do Mercosul reservará um grande futuro aos municípios que tiverem boa infra-estrutura e localização privilegiada, caso de Foz do Iguaçu. Além disso, nossa cidade centraliza uma região promissora, que inclui as regiões oeste do Paraná, leste do Paraguai e o nordeste da Argentina.
Folha - Como Foz pretende desempenhar esse papel?
Daijó - Quando a hidrovia Paraná-Tietê entrar efetivamente em operação, daremos um salto, porque seremos protagonistas de uma série de cidades que dependerão da construção do Pólo Intermodal de Transportes aqui em Foz, que já tem recursos garantido no orçamento federal. A chegada da Ferroeste até a fronteira também abrirá a possibilidade de que essas regiões tenham acesso ao Atlântico ao mesmo tempo que o Pacífico poderá ser mais acessível aos brasileiros. Para sistematizar e otimizar essa nova realidade, aliado aos trunfos econômicos já existentes, estamos adotando a Agenda Foz 21, um estudo elaborado por conceituados institutos.
Folha - Essas conquistas vão permitir a industrialização do município?
Daijó - Nós já temos uma indústria importantíssima, que é o turismo. A atração dos novos investimentos tem que seguir as vocações de cada cidade que forma a região. Ciudad del Este deve continuar a ser uma cidade-shopping, mas deve melhorar como centro comercial. Foz e outras cidades da região também poderão ser grandes centros de armazenamento e processamento. Para indústrias pesadas como a automobilística, por exemplo, as vantagens também serão imensas. As várias opções de transporte tornam a região dinâmica e contribuem para a queda do custo do produto.
Folha - Qual a melhor maneira de se prolongar a estadia do turista na cidade?
Daijó - A democratização das ações do Ibama, que cada vez mais integra seu trabalho com os governos e as comunidades, é uma grande conquista para Foz. O novo Plano de Manejo e a revitalização do Parque Nacional vai criar um parque temático único no Brasil, cuja maior atração é a biodiversidade da floresta, que terá cada vez mais valor. O Parque da Barragem, em Itaipu, também criará uma nova atração com muitas nuances. Este parque, além de ser sede de competições importantes, como a segunda edição dos Jogos Mundiais da Natureza, que será realizada no ano 2001, poderá ser tematizado, enfocando todas as formas de produção de energia.
Folha - Durante a Copa América, que imagem a cidade deve passar para os visitantes que ainda não conhecem Foz?
Daijó - O que faz a imagem da cidade são as pessoas. Mesmo que a paisagem seja muito bonita, a frieza das pessoas afasta o turista. Tudo o que estamos fazendo para melhorar paisagismo, iluminação, segurança e praças esportivas tem que ser complementado com a hospitalidade da população. Nosso povo deve lembrar que estamos recepcionando aqui a maior equipe esportiva do planeta, que é a Seleção Brasileira. Temos que representar todos os brasileiros que gostariam de estar próximos a ela. Nós vamos dar todo o carinho para a delegação. Depois que eles conhecerem todas as nossas belezas, com certeza levarão Foz para o mundo. Temos que dar esse mesmo carinho ao torcedor comum, para deixarmos a melhor imagem.Prefeito de Foz se revela entusiasmado com o Mercosul e a construção da Hidrovia Tietê-Paraná-Rio da Prata
Ney de SouzaVestindo a camisaO prefeito Harry Daijó: liderando a execução de projetos que transformarão Foz do Iguaçu num ‘‘indutor de desenvolvimento do Paraná e do Brasil’’

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