Da natureza para o lar brasileiro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de julho de 2015
Reportagem Local 
Leveza, fluidez e curvas são as principais características do design orgânico, tendência que já circula entre projetos arquitetônicos e de interiores por algum tempo. Relacionado a grandes nomes da arquitetura como Oscar Niemeyer e Zaha Hadid, e também a uma lista de renomados designers - que inclui Charles e Ray Eames, Verner Panton, Arne Jacobsen, Ron Arad, Ross Lovegrove, Pedro Useche e Ronan e Erwan Bouroullec - os traços orgânicos disseminam-se Brasil afora. Projetar, desenvolver ou criar buscando a evolução do que já existe: tudo isso recebe o nome de design. Já a união deste conceito a tudo o que remete a natureza, fazendo uso dela ou imitando-a, é denominado como design orgânico.
A crescente popularidade dessa vertente se dá devido à beleza e a imensidão de nossa fauna e flora, que servem como inspiração para o design orgânico. "A construção do móvel a partir de um design mais natural, seguindo os princípios da marcenaria e técnicas artesanais, como a madeira maciça torneada, encaixes, madeira curvada e o conceito do feito à mão, valoriza qualquer ambiente e confere personalidade", explica Marlon Chiumento, gerente de design da Inove, de Curitiba.
Mas não é só a beleza que caracteriza o design orgânico. Segundo Marlon o uso deste tipo de peça também proporciona grande conforto, fluidez e intimidade ao ambiente, uma vez que procura oferecer soluções vistas como naturais. Ele ainda complementa: "É uma forma de trazer a natureza para dentro de casa".
Outra grande vantagem para quem opta pelo uso do design orgânico é a possibilidade de alinhamento com diversas vertentes como o clássico, moderno, contemporâneo, o lúdico. Isso é possível, pois o conceito orgânico tem um caráter de desenvolvimento natural, inato e oposto ao que é calculado e idealizado. "Não é obrigatório o uso de materiais naturais, nem ter o completo domínio sobre a forma, ela flui com a intuição, se apresenta dinâmica e com ritmo visual que reporta a um organismo vivo. A forma orgânica de um objeto de uso não é apenas uma forma artificial inerte, ela se apresenta como a maioria dos objetos naturais e se conecta com o usuário como algo vivo", conclui Chiumento.
Quando se trata do design orgânico o objeto de uso deve ser tratado como algo que vive. Este gênero do design promove a harmonia entre a habitação humana e o mundo natural por meio do desenho e da forma tornando-se parte de uma composição unificada e interacionada. Como diria Oscar Niemeyer: "Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível criada pelo o homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro no curso sinuoso dos nossos rios, nas nuvens do céu, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein".



