Da faina, os paranaenses não reclamam
Um pequeno escritório, localizado embaixo de uma das escadas do navio, com prateleiras lotadas de pastas, manuais e livros é o principal local de trabalho do curitibano César Augusto dos Santos, 32 anos. Sargento, com 15 anos de Marinha, realizou um sonho de infância. Ele conta que ao completar 18 anos não teve dúvidas. Pegou suas coisas e seguiu para Paranaguá. Tinha que se alistar na Marinha. ''Sempre tive vocação para o mar, sentia um desejo de navegar'', fala, realizado.
Nos seis meses navegando pelo continente gelado o sargento é responsável por toda tarefa burocrática da divisão de máquinas da embarcação. O trabalho é intenso. O departamento é responsável desde o funcionamento das descargas nos sanitários até o motor do navio. Orçamentos, listas de compras e solicitações ficam sob responsabilidade do paranaense, bem como as previsões de manutenções para as operações antárticas de 2009/2010. E não é só, Augusto é membro da equipe de manobra das aeronaves, auxiliando no levantamento e pouso dos helicópteros. A faina - trabalho, no linguajar dos marinheiros, é puxada, contudo ninguém reclama. Servir no Ary Rongel é motivo de orgulho. A seleção é disputada e, quem consegue, passa a receber o soldo em dólar durante as operações.
Já o primeiro sargento eletricista Walter Bitencourt Junior, 37 anos, nasceu em Paranaguá e com 17 anos foi para Vitória no Espírito Santo servir na Marinha. Um veterano nas terras geladas, está realizando sua terceira operação antártica. ''Aqui você faz parte de uma missão de Estado, você faz parte de um Brasil maior, que constrói'', define Bitencourt. Sobre as belezas do continente suas palavras são poucas, porém certeiras: ''A Antártica é uma beleza azul, branca e preta''. (S.R.)





