Em 1975, a geada. Nove anos depois, a campanha do café. A maior riqueza da região, o ouro verde, não podia ficar esquecida, alertava a Folha em maio de 1984, disparando um amplo movimento pela retomada do produto que era marca registrada da economia regional. A campanha ganhou o nome ‘‘O Paraná acredita no caf钒 e mobilizou a sociedade paranaense. A proposta era estimular a volta da cultura, com a distribuição de milhões de mudas para pequenos e médios produtores, mas sob uma nova perspectiva: enquadrando a lavoura cafeeira em uma estratégia de diversificação.
O café seria o carro-chefe das propriedades norte-paranaenses, tendo o apoio de um programa científico de uso do solo, clima e comercialização para culturas complementares como feijão, milho, soja, trigo, arroz, cana e gado confinado para corte, além de fruticultura, horticultura e criação de animais de menor porte. Coordenada pelo empresário e parlamentar Oswaldo Macedo, a comissão encarregada da campanha contou com a atuação prática de diretores da Folha e representantes de praticamente todos os segmentos da sociedade paranaense. O objetivo era envolver cooperativas agrícolas, prefeituras, instituições de pesquisa e lideranças do setor agropecuário no grande projeto de reeditar a força da cultura cafeeira na região, chamando de volta a prosperidade rural e urbana ao Estado. A substituição dos cafezais envelhecidos por mudas novas, uma lei estadual específica para a cultura e até uma política de exportação do produto faziam parte do projeto ambicioso.
Foi um sucesso. O governador José Richa, secretários estaduais, outros veículos de imprensa, pequenos, médios e grandes produtores, agrônomos, federações e a comunidade em geral engajaram-se à campanha que, em um ano e meio, estancou a tendência de erradicação dos cafezais, ampliou o parque cafeeiro e reiniciou a implantação de viveiros e mudas em todos os municípios com tradição na cafeicultura. No início dos anos 90, a prática do adensamento consolidou de vez o processo de retomada do ouro verde na região e, ano a ano, a cultura vem recuperando espaço nas propriedades do Estado.
A Folha sempre empunhou bandeiras, com olhar no futuro e também no passado. Em dezembro de 91, o jornal abraçou um novo desafio, lançado pelo então secretário municipal de Cultura, Domingos Pellegrini Jr: a campanha para a volta do órgão de tubos à Catedral de Londrina. O instrumento, um dos melhores do Brasil, atravessou anos exposto a chuvas e até a pedradas após a demolição da antiga Catedral de Londrina. Com oito toneladas, quase seis metros de altura e ocupando uma área de 30 metros quadrados, quase foi destruído junto com o prédio, em 1968. Passou anos desmontado nos porões do Grupo Escolar Hugo Simas e por muito pouco não virou sucata.
Por inicitiva da Universidade, o órgão foi enviado em 1973 à oficina de origem, na cidade paulista de Indaiatuba, para ser restaurado pelo seu criador, Henrique Lins. Até que, no início dos anos 90, surgiu a iniciativa de trazer de volta um dos maiores símbolos da religiosidade londrinense. A comunidade católica colaborou e a Prefeitura resolveu bancar o que faltava para que o instrumento fosse recuperado. Em fevereiro de 94, o órgão estava de volta à Londrina para encantar os fiéis, na nova Catedral. A pianista e organista londrinense Maria Luísa Magalhães fez um concerto para uma igreja lotada.
Outro resgate religioso que sensibilizou a comunidade foram os sinos da Catedral. O fotógrafo Chico Rezende nunca se conformou com o fim das badaladas dos quatro sinos de bronze que, vinte anos antes, chamavam os fiéis para as missas. Também o arcebispo Dom Geraldo Fernandes manifestou até morrer o desejo de ouvir novamente o som dos sinos que, segundo ele, davam um ‘‘toque musical’’ à cidade. A Folha produziu uma série de reportagens sobre o assunto, traduzindo o sentimento comum dos londrinenses que queriam ouvir novamente os sinos repicar. Uma campanha para angariar fundos para a construção da torre ganhou as páginas do jornal. Guardados no estacionamento da Catedral desde 1972, quando o novo prédio foi inaugurado, os quatro sinos - que soaram todos os dias entre 1949 e 1968 - foram resgatados e, na Missa do Galo em 1990, a comunidade católica ganhou um grande presente de Natal. Foi também uma homenagem aos dois londrinenses, já falecidos, que iniciaram a campanha, prontamente apoiada pela Folha.
A restauração da antiga rodoviária de Londrina para transformá-la em um museu de artes foi outro capítulo na coleção de campanhas da Folha. A comunidade pedia a preservação do prédio, um marco da moderna arquitetura brasileira que contava, desde 1985, com projeto de transformação em um espaço cultural, já que o terminal de ônibus foi transferido para um prédio novo. Mas, cinco anos depois, nada havia sido feito. A Viação Garcia garantiu apoio financeiro para as obras, que contava também com aval da Prefeitura, mas era preciso a participação do Estado no financiamento da reforma. A proposta era tirar o projeto do fundo da gaveta e iniciar os trabalhos. O prédio, idealizado em 1950 pelo arquiteto João Batista Villanova Artigas e que abrigou a estação de 1952 a 1988, foi tombado em 1974 pela Curadoria do Patrimônio Histórico e Artístico Estadual.Arquivo FolhaEquilíbrioA nova Rodoviária: um símbolo da modernidade de Londrina garantiu tombamento do prédio pioneiroRuth Meira

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