Agência Estado
Dom Paulo Evaristo Arns viveu mais de três quartos deste século. Para ele, que vibrou com suas conquistas, lutou contra as injustiças e sofreu com seus retrocessos, o Século 20 deve passar para a História como o século das ideologias abrangentes e cruéis, de duas grandes guerras mundiais e de lutas fratricidas.
‘‘Erramos muito, sobretudo quanto à justiça social e à distribuição de renda, mas evoluímos quanto aos direitos da pessoa e oxalá consigamos preparar um século melhor para os idosos e as crianças’’.
O ‘‘cardeal da esperança’’, cuja atuação política e religiosa durante o obscuro período da ditadura militar no Brasil ajudou a salvar vidas e a denunciar crimes contra os direitos humanos, acredita que o novo milênio possa ser um tempo de paz e de vida feliz se o Homem conseguir estabelecer um novo código de ética.
Dom Paulo louva as grandes conquistas tecnológicas nas comunicações, na Física, na Medicina, nas viagens espaciais. ‘‘Neste século o homem chegou à Lua, descobriu a penicilina e inventou a Internet, mas tudo indica que a tecnologia não satisfaz e, por isso, as pessoas procuram a religião’’, diz o cardeal.
Mas lembra que a fraternidade humana precisa garantir um novo tipo de sociedade nas Américas, sem exclusão, sem discriminação e sem dominação. ‘‘Precisamos procurar caminhos alternativos de solidariedade, destruindo as barreiras de raça, religião, classe social, partidos, facções e nações’’.

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