CVV precisa de voluntários
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quarta-feira, 08 de abril de 2009
Diogo Cavazotti<br>Equipe da Folha 
Há 29 anos o Centro de Valorização da Vida (CVV) presta atendimento gratuito para a população de Curitiba. Trata-se de uma entidade filantrópica formada por voluntários que oferecem serviço de ajuda emocional e afetiva inteiramente gratuito. Em Curitiba, 33 pessoas se dividem no atendimento, sendo que o número necessário seria de 84. O ideal é que no mínimo dois plantonistas fiquem ao mesmo tempo na sede do CVV, localizado no Água Verde. Os voluntários disponibilizam quatro horas por semana ao serviço.®MDBO¯®MDNM¯
Nos dias 14, 15 e 16 de abril serão realizadas palestras com o objetivo de conseguir mais pessoas que queiram participar do trabalho. Os interessados podem se inscrever através do telefone 3342-4111. O encontro será realizado no Hotel Mercure, na Avenida Sete de Setembro, 5.368, das 19 às 22 horas.
As palestras abordam a história do CVV, como começou, as características do voluntário, o perfil das pessoas que ligam e como ajudar. Depois dos três dias quem realmente quer participar continua fazendo exercícios de como atender e se portar perante os problemas que surgem. Ficar calmo nas mais diversas situações é fundamental para desenvolver o trabalho.
''Todo voluntário tem a liberdade de sair do projeto quando bem entender. Muitas vezes, por motivos particulares, alguém se afasta. Por isso estamos sempre em busca de novas pessoas interessadas em ajudar'', explica o porta-voz do CVV em Curitiba, Quintino Dagostin, que participa do projeto há 13 anos.
Os integrantes do Centro de Valorização da Vida também realizam palestras em escolas e empresas e abordam, entre outros assuntos, a relação entre pais e filhos, hierarquia no trabalho, liberdade e responsabilidade, a arte de saber ouvir e o sentido do perdão. O encontro dura aproximadamente 50 minutos e qualquer instituição pode solicitar o serviço, também gratuito.
®MDNM¯Além de ter voluntários disponíveis para atendimento pelo telefone, os interessados também podem participar de grupos de estudo realizados na sede do Sesc Água Verde. Os participantes podem ir apenas para ouvir ou participar, falando um pouco sobre as experiências que viveram e como conseguiram superar os problemas. As reuniões são realizadas nas terças e sextas-feiras, a partir das 14h30.
A rotina do CVV
Os voluntários que já estiveram perante casos de suicídio geralmente ficam um pouco perturbados, pois não podem sair correndo para socorrer a vítima. Este é o único caso em que o atendimento pode perguntar se a pessoa precisa de ajuda e, assim, chamar a ambulância.
Rosemari (identificada com o primeiro nome à pedido da entrevistada) é funcionária pública aposentada e voluntária do CVV desde 1990. Ela resolveu participar do programa pois sentiu a necessidade de ajudar alguém. ''O CVV é um aprendizado. Nenhum caso é igual ao outro. Cada pessoa é única'', conta. A voluntária explica que o objetivo do trabalho é entender o sofrimento e a angústia das pessoas.
A voluntária conheceu o trabalho do CVV através da televisão. Depois soube que uma amiga participava do projeto e perguntou como funcionava. Hoje ela passa quatro horas por semana na sede do Centro. ''É um serviço de utilidade pública. Mas recebemos alguns trotes''. Ela também conta que muitas vezes as pessoas ligam apenas para conversar pois se sentem sozinhas. O objetivo do voluntário é captar o sentimento das pessoas. Rosemari diz que na vida as pessoas são educadas a interferir na vida dos outros. No CVV os voluntários deixam cada um tomar as suas decisões, ajudando na própria reflexão.
Na sede do Centro de Valorização da Vida não existe televisão nem rádio. Toda a atenção deve estar voltada ao atendimento. Em uma das paredes, um grande prego alerta que os voluntários não devem levar os problemas para casa. ''Quando chego aqui deixo os meus problemas no prego e, quando vou embora, penduro o que escutei nas ligações para não levar nada embora'', diz Rosemari.


