Uma pesquisa realizada pelo Centro Universitário Filadélfia (UniFil) com dois mil alunos do Ensino Médio, em 2010, revelou que Administração, Direito, Psicologia, Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Civil e Medicina, nesta ordem, ainda são os cursos mais desejados ou os que mais se aproximam do que eles gostariam de ter em relação a uma formação profissional, mesmo com todas as demandas por novos cursos. Os cursos tradicionais, chamados de cursos base, segundo as instituições, sempre terão lugar no mercado de trabalho. O importante é que o aluno, durante ou após a graduação, busque uma especialização e uma área no mercado que ainda absorva uma demanda específica.
"Desde que o mundo é mundo, as profissões tradicionais são as mais conhecidas pelo senso comum das pessoas e, de certa forma, muito estimuladas também por estarem atreladas ao status que poderão prover, na maioria dos casos", afirma Daniele Akamine, coordenadora da Pró-Reitoria de Planejamento da UniFil. A coordenadora geral de processos seletivos (Cops) da Universidade Estadual de Londrina, Cristina Bulhões Simon, acrescenta que o aluno que sonha em fazer um curso tradicional não deve se assustar com o número de profissionais que se formam todos os anos nessas áreas. "Ele precisa buscar o seu desejo e principalmente investir no estudo, fazer a diferença. Realmente muitos cursos tradicionais possuem alta concorrência, alguns existem em muitas faculdades privadas, mas é o aluno que faz o curso. Se você fizer uma graduação medíocre você vai ficar para trás, e se você buscar a excelência e uma especialização no futuro, você terá seu lugar no mercado", ressalta.
Para a diretora regional acadêmica da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Wilma Jandre, os cursos bases sempre terão espaço porque hoje o mercado exige profissionalização em todos os setores, por mais simples que eles pareçam ser.
"Estamos vivendo um momento de crescimento intelectual da população, até mesmo pelos incentivos e programas do Governo de ingresso ao Ensino Superior. A população está buscando uma melhor renda familiar, por isso todo curso é importante e tem seu espaço", salienta, ressaltando a necessidade de buscar um segmento e uma especialização para conquistar um bom espaço no mercado.
Nessa linha de pensamento, o diretor de ensino de graduação da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Eduardo Radovanovic, afirma que o acontece hoje, principalmente na área das engenharias – um curso tradicional que virou boom nos últimos anos devido à demanda crescente na construção civil – é que os cursos começam a criar novos segmentos para suprir necessidades do mercado. "Por isso enfatizamos abertura de novos cursos de um mesmo segmento, como Engenharia Mecânica, Elétrica, Têxtil, que têm tido grande procura. Existe uma falsa ideia de que estamos formando muitos profissionais da mesma área, mas a realidade é que ainda há dificuldade em achar bons profissionais para atuar nesses mercados", finaliza.

Imagem ilustrativa da imagem Cursos tradicionais não perdem mercado
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