Curso solidário
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de novembro de 2007
André Amorim<br>Equipe da Folha 
Enquanto se preparam para enfrentar o mercado de trabalho, muitos universitários se dedicam a adquirir um atributo que não está nos livros: a solidariedade. Várias instituições de ensino superior oferecem serviços gratuitos das mais diversas áreas à população de baixa renda. Essas atividades trazem benefícios para as duas pontas envolvidas. Os alunos, que têm contato com a realidade prática
da futura profissão e os beneficiados, que podem contar com serviços
de qualidade oferecidos sem
custo algum.
Na Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), desde 1998 os alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo desenvolvem projetos de casas populares para pessoas de baixa renda. Não é uma prática obrigatória, os alunos vão de acordo com o interesse, mas a procura vem aumentando, explica o professor Antônio Kovaleski, coordenador do Escritório Modelo onde são desenvolvidos os projetos. A idéia, segundo ele, é estabelecer uma
ponte entre a a universidade
e a comunidade.
Através de uma parceria com a Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), os estudantes desenvolvem projetos arquitetônicos de casas populares (até 70 m2) para pessoas de baixa renda que fazem parte do projeto Casa Fácil. Os alunos estudam as necessidades de cada cliente, desenvolvem a planta, e a Cohab se encarrega de transformá-la em realidade.
Além da habitação, a solidariedade dos universitários pode ajudar àqueles que não têm condições de contratar um advogado. A Faculdade de Direito da Unicuritiba foi escolhida pelo Tribunal de Justiça do Paraná para sediar um pólo de conciliação, espécie de posto avançado da Vara de Família onde são feitas as primeiras audiências referentes a temas como pensão alimentícia, guarda dos filhos, separação, divórcio, dissolução
de união estável e regulamentação
de visitas.
Segundo a professora Isabela Busch, que acompanha os alunos nessa atividade, atualmente são acompanhados cerca de 5 mil processos nessa área. Durante o último mutirão realizado pelos alunos, nos dias 7 e 8 de novembro, foram realizadas cerca de 160 audiências. De um lado beneficiamos pessoas que não têm capacidade de contratar um advogado, do outro ajudamos a desonerar a máquina judiciária. Já chega com a coisa pronta só para a juíza assinar, aponta Busch. Segundo ela, cerca de 70% das audiências realizadas na instituição acabam em acordo entre as partes.
Outra iniciativa solidária vem da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), onde há mais de 25 anos os alunos da graduação de Odontologia oferecem tratamento dentário gratuito à comunidade. Segundo a diretora adjunta da Clínica Odontológica, Vânia Portela Ditzel, são realizados cerca de 400 atendimentos públicos por dia. Não existe limitador de renda, mas segundo a diretora, a grande maioria dos beneficiados vem das classes menos privilegiadas.
Os alunos começam a atuar na Clínica desde o primeiro ano. Conforme o curso avança, os estudantes passam para atividades mais complexas, tudo sob a supervisão dos professores. Além dos graduandos, o espaço abriga alunos da pós-graduação, mestrado e doutorado. Essa, aliás, é outra vantagem do atendimento na Clínica da PUC, além da gratuidade das consultas, os beneficiados podem contar com os melhores especialistas do Estado, visto que a instituição é a única que oferece o curso de doutorado em odontologia no Paraná.
A especialidade técnica se traduz em confiança, pelo menos esse é o sentimento da dona de casa Marilena de Oliveira, que atualmente faz um tratamento de canal na Clínica.
Estou tranqüila, o professor fica
junto e não deixa eles (os alunos) fazerem nada errado, garante.


