Advogados, comerciantes, médicos, professores, políticos. Nas primeiras décadas da imprensa londrinense, as redações de jornais eram um apanhado de diversas formações, onde só não havia profissionais graduados em...jornalismo.
Na Folha de Londrina, a primeira jornalista com formação na área foi Leange Severo Alves, 57 anos, que teve uma rápida passagem pelo jornal na década de 70. Hoje, como professora de Comunicação Social na Universidade Estadual de Londrina (UEL), Leange defende que a implantação do ensino superior em Jornalismo foi um marco na história da imprensa local.
''Tenho certeza de que foi um divisor de águas, marcou o antes e o depois. Você via que a imprensa era muito romanceada, e nossos alunos passaram a ter mais pés no chão. Há duas maneiras de ver os jornalistas: uma é o pessoal das antigas, que tinha grande experiência e produzia um material muito bom. A outra é dos que têm a formação, a maneira diferente de fazer a leitura do mundo'', opina.
Implantado em 1974, o curso de Jornalismo da UEL foi considerado prioritário desde o movimento em torno da criação da universidade, anos antes. ''A importância do curso foi destacada desde o início devido ao papel social que teria'', afirma Leange. Da primeira turma, formaram-se apenas quatro alunos.
Atualmente, o curso de Jornalismo está presente em três instituições de Ensino Superior de Londrina. Além de docente da UEL, Leange é coordenadora do curso na Universidade Norte do Paraná (Unopar). Ela avalia que uma das melhores características do que se produz na imprensa local, nos dias de hoje, é a presença de opinião. ''Tinha uma época em que tudo tinha que ser tratado de maneira imparcial. E hoje parece que está havendo uma volta do posicionamento, você vê opinião em quase todas as matérias. Acho que isso é positivo''. (V.N.)

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