Cursinhos se adequam a vestibular
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Modelo atual exige dos candidatos mais interpretação e menos memória. Alunos da rede pública podem ser prejudicados
O atual modelo de vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL) está provocando mudanças no perfil do Ensino Médio e dos cursinhos preparatórios. Desde o ano passado, o modelo vem privilegiando a interpretação dos candidatos, forçando professores e alunos a abandonar métodos que enfatizavam a memorização de conteúdo. A tendência é aprovada por vestibulandos e profissionais de ensino consultados pela Folha. Mas, ao mesmo tempo, eles também criticam outros pontos do vestibular e sugerem mudanças.
Para o coordenador do curso pré-vestibular do Colégio Maxi, Ubiracy D'Andrea, a principal vantagem do atual modelo de vestibular é o fato de incentivar os estudantes a valorizar a leitura. ''Você já começa a notar uma preocupação dos alunos em se adequar a essa nova necessidade, usando a leitura para desenvolver uma visão mais analítica dos fatos'', observa. D'Andrea afirma que, diante da exigência de um perfil mais interpretativo dos candidatos, nem os cursinhos têm espaço para ''decoreba'' ou macetes.
''A idéia do professor 'show-man' também mudou, hoje o que conta é a formação. O próprio aluno não quer apenas decorar conteúdo, mas relacionar causa e efeito'', explica. O vestibulando Bruno Hirayama Bueno, 18, aspirante a uma vaga no curso de Direito, fez cursinho no ano passado e sustenta que o modelo das aulas não mudou tanto assim. ''O vestibular mudou mas nos cursinhos eles continuam te ensinando macetes. Quanto às provas, achei mais fácil desse novo jeito, apesar de não ter sido aprovado em 2003'', diz.
Nas escolas públicas a ordem também é adequar as aulas às novas exigências. ''Temos insistido na questão da interpretação, mostrando aos alunos que isso não vale só para as aulas de Português, vale para todas as disciplinas. Mas é difícil, pois estamos trabalhando com alunos que vêm há tempos com esse vício de não precisar pensar, de ligar a TV e ter tudo pronto'', analisa o diretor-auxiliar do Colégio Estadual Vicente Rijo, Geraldo Magela Zamaia.
O diretor de Ensino Médio e Cursinho do Colégio Universitário, Alderi Ferraresi, concorda que a maioria dos jovens não está acostumada a estudos mais analíticos, mas se diz preocupado, sobretudo, com os alunos da rede pública. ''Antes, eles só vinham defasados em volume de conteúdo. Agora também estão em desvantagem em relação ao desenvolvimento de suas habilidades interpretativas'', comenta.
Para os candidatos mais despreparados, assinala o diretor, um ano de cursinho não é tempo suficiente para adquirir essas habilidades. ''Tanto isso é grave, que está se discutindo a questão da reserva de vagas em universidades, para alunos de escolas públicas'', lembra.


