Cursinhos para pessoas de baixa renda permitem acesso à universidade
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quarta-feira, 07 de fevereiro de 2007
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Há dois anos, o morador de Colombo Simão Aquino, 19 anos, preparava-se para ser atendente de lanchonete. Estudante da rede pública de ensino, achava difícil ser aprovado no vestibular sem a ajuda de um curso preparatório. Hoje ele está indeciso se cursa Economia na Universidade Federal do Paraná (UFPR), ou Administração na PUC Paraná, onde conseguiu uma bolsa de estudos. O vetor desta conquista, segundo ele, é a ONG Em Ação, que desde 2000 oferece curso pré-vestibular (cursinho) a pessoas de baixa renda.
Apesar de estar localizada em Curitiba, ela é procurada por muitos moradores da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) e do Litoral. De acordo com o coordenador do pré-vestibular, Emanuel Cochinski, esses estudantes correspondem a 80% dos inscritos.
No ano passado, 57% dos alunos da ONG foram aprovados na UFPR. Outros passaram em instituições particulares - com bolsas do Pro-Uni - e na Universidade Tecnológica do Paraná (UTFPR), antigo Cefet. As aulas acontecem aos sábados e domingos, no Centro Politécnico da UFPR, no Jardim das Américas. Para participar do projeto, os candidatos passam por uma prova de conhecimentos gerais e por uma entrevista sócio-econômica. São ofertadas 230 vagas em duas turmas.
A ONG Em Ação não é a única iniciativa para quem vai enfrentar o vestibular e não tem condições para pagar um cursinho particular. Outra opção é a Associação Cultural de Negritude e Ação popular dos Agentes de Pastoral de Negros (ACNAP), que oferece cursinho preparatório para jovens afro-descendentes. Segundo seu presidente, Paulo Borges, a iniciativa surgiu em 2002 em meio a discussão das cotas raciais nas universidades públicas. Apesar de ser voltado à comunidade negra, o curso reserva 20% de suas vagas para outras etnias. São duas turmas de 90 alunos por ano que assistem aulas de segunda a sábado em um espaço disponibilizado pela UFPR.
Assim como o curso da ONG em Ação, a ACNAP conta apenas com professores voluntários. De acordo com Borges, as evasões correspondem a 25% dos inscritos. Entre os que conseguem acompanhar as aulas, 15% são aprovados.
Para aqueles que desejam prestar vestibular na UTFPR, uma boa dica é o curso Conexão, realizado pela própria universidade. Segundo a instituição, desde que foi criado, em 2005, o curso tem média de 60% de aprovação. Como o vestibular da UTFPR acontece no meio do ano, as inscrições para o primeiro semestre já foram encerradas. A partir de junho será aberta uma nova turma para disputar o processo seletivo em outras universidades. O Conexão oferece 60 vagas para jovens de baixa renda. As aulas ocorrem de segunda a sábado na própria UTFPR.
Mais uma opção. No bairro Boqueirão, em Curitiba, existe o Curso do Colégio Luiza Ross, que oferece 100 vagas para estudantes sem condições financeiras. O curso, uma iniciativa da comunidade local, funciona desde 2003. Em 2006, nove alunos foram aprovados no vestibular da UFPR e 25 em instituições particulares. As aulas ocorrem todos os sábados, das 8 às 19h40, nas dependências do Colégio. Todos os professores do curso são voluntários e muitos ex-alunos que foram aprovados retornam como professores.


