Curitibanos se queixam do excesso de pombos
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quarta-feira, 05 de março de 2008
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
Será que os pombos, que já há alguns anos atormentam a população de Londrina, estão se tornando um problema de saúde pública em Curitiba? O vereador Jorge Bernardi (PDT) acredita que sim. Em fevereiro, ele apresentou na Câmara Municipal uma proposição para que a prefeitura tome medidas para o controle da população de pombos em Curitiba, especialmente nas praças Tiradentes e Rui Barbosa, no Centro.
''Não queremos que os pombos sejam abatidos, mas que sejam tomadas providências para controlar a hiperpopulação dessas aves'', afirma Bernardi. Na proposição, o vereador alegou que os pombos, através das fezes, ''causam alergias e sarna que se transformam em feridas de difícil cicatrização, provocam coriza e herpes viróticas, ácaros e outras doenças que emanam de suas fezes ressecadas que ficam sob os bancos das praças, e piolhos'', além de propagar ''microorganismos patogênicos, comprometendo o aparelho respiratório das pessoas''.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que não foi notificada oficialmente sobre o assunto. Em todo caso, apontou que não haveria no momento nenhuma evidência que justificasse uma ação específica relacionada aos pombos.
Kung Darh Chi, professora de Medicina Veterinária da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), explica que, além dos problemas relacionados à saúde pública, os pombos também podem causar danos materiais. ''As fezes dessas aves são muito ácidas e, caso se acumulem em determinados materiais, podem até comprometer estruturas'', diz a professora.
Ela cita também que os ninhos de pombos podem ser atrativos para outros bichos que transmitem doenças, como ratos e baratas. ''A melhor prevenção é não dar alimento. Muitas pessoas gostam de dar comida para os pombos, acham bonita a revoada. Quando vejo crianças correndo atrás de pombos, fico apreensiva, porque quando os pombos voam, levantam poeira, que a criança pode inalar. As pessoas não podem matar os pombos, pois é contra a lei, mas não devem alimentá-los'', explica Kung.
A professora acredita que a população de pombos de Curitiba está aumentando. ''Quando eu era criança, as praças Santos Andrade e Osório eram os únicos pontos de concentração de pombos. Hoje, eles estão em todo o Centro, inclusive nos prédios. O crescimento dessa população tem a ver com o próprio crescimento urbano, pois quanto mais gente, mais restos de alimentos para os pombos'', cita Kung, que defende programas de educação sanitária.
A Reportagem da FOLHA esteve em três das mais importantes praças de Curitiba (Santos Andrade, Zacarias e Rui Barbosa) e constatou que muitas pessoas mantêm o hábito de alimentar os pombos. O pipoqueiro Paulo da Silva, que trabalha na Praça Santos Andrade, conta que alguns de seus clientes costumam usar parte das pipocas que compram no carrinho dele para alimentar os pombos.
''Não posso fazer nada. O cliente compra e joga a pipoca, ele faz o que quiser. Eu estou trabalhando, faço a minha parte'', diz Silva. Ele aponta que muita gente até traz comida de casa para dar aos pombos. ''Já vi pessoas dando farelo de milho, pedaço de pão'', explica o pipoqueiro, que concorda com a afirmação de que o número de pombos aumentou em Curitiba.
''Tem muito pombo na Tiradentes, na Zacarias, na 19 de Dezembro, na Rui Barbosa...'', comenta. Silva às vezes fica irritado com o ''assédio'' dos pombos ao carrinho dele. ''Eles chegam a subir no carrinho, mas não conseguem pegar as pipocas por causa do vidro. Eu solto uns traques só para afastar'', explica o pipoqueiro.
O aposentado Paulino Nascimento também se queixa dos pombos. ''Tem que dar pílula para eles!'', reclama. A aposentada Maria do Carmo Fonseca Dutra acredita que o suposto excesso de pombos não é problema exclusivo do Centro. ''Eles estão indo para os bairros. Onde moro, no Água Verde, já vejo muitos pombos'', argumenta.
Sempre há quem não se incomoda com os pombos. É o caso do gari Diamiro Ferreira dos Santos. ''Não tenho nada contra eles, e eles não atrapalham o meu trabalho'', justifica Santos, que há quatro meses cuida da limpeza da Praça Rui Barbosa.


