Curitibanos mantêm hábito de colecionar carros antigos
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quarta-feira, 18 de abril de 2007
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
Os colecionadores de automóveis antigos costumam usar os termos ''vício'' e ''paixão'' quando falam sobre seu hobby. Só mesmo palavras relativas a situações e sensações extremas seriam adequadas para descrever o interesse e a dedicação da maioria desses aficcionados.
''É uma coisa que vem no sangue. É um vírus. Você pega o interesse e vai se envolvendo'', diz o empresário Marcus Vinicius Conte, 41 anos, colecionador e restaurador de carros antigos. ''Sempre gostei dessa área. Meu pai ganhou um Ford 41 de presente e a gente começou a restaurar. Depois, ganhamos um Mercury 71 e aí foi...''
Ao longo dos anos, a coleção de Conte passou por mudanças. Hoje, é composta de seis Cadillacs, fabricados nas décadas de 40 e 50, e restaurados nos mínimos detalhes. ''O Cadillac era o carro da elite. Era o sonho de consumo da sociedade dos anos 50'', conta o empresário.
Outros veículos estão a caminho da coleção de Conte, mas ele diz que não pretende aumentar muito o acervo. ''Prefiro qualidade, e não quantidade'', explica. O interesse da família de Conte por automóveis antigos resultou na criação de um estúdio, especializado na restauração de carros considerados ícones, como Rolls-Royce, Cadillac e Mustang.
O empresário e colecionador Roberto Biesemeyer, 63, associado do Veteran Car Club do Brasil - Clube de Automóveis Antigos do Paraná, aponta que em Curitiba dezenas de pessoas mantêm o hábito de colecionar carros fabricados há mais de 30 anos. ''Talvez essa mistura de povos que existe em Curitiba faça com que a população preserve muito as coisas'', acredita Biesemeyer.
O Clube de Automóveis Antigos do Paraná, criado em 1977, está com 100 sócios (alguns integrantes são de outros estados). Biesemeyer estima que a soma das coleções dos membros do clube passe dos 600 automóveis.
''Eu cheguei a ter 14 carros. Hoje tenho três (um MP Lafer 75, um Chevrolet 41 e um Olds Mobile 56). A gente se entusiasma, vai comprando e se você não tem uma estrutura ao invés de dar prazer a coleção dá trabalho. Quando você tem muitos carros, fica difícil dar atenção a todos. Tem gente que tem estrutura com funcionários para cuidar de carros antigos. Eu me considero mais um 'curtidor' do que um colecionador'', comenta Biesemeyer.
O empresário recomenda que colecionadores de carros antigos façam parte de clubes. ''Nesses locais, você troca informações, compara e faz amizades'', diz Biesemeyer. Entre os encontros e passeios promovidos pelo Clube de Automóveis Antigos do Paraná, está o tradicional Verão dos Veteranos. ''Nós vamos para o Litoral e tomamos banho de mar com trajes de época'', conta o empresário.
Entre os clubes de automóveis antigos de Curitiba, há entidades que congregam apaixonados por determinados modelos e marcas. É o caso do Clube do Fordinho, criado em 1999 para reunir colecionadores de Ford modelo A quatro cilindros. O presidente da entidade, o engenheiro Raul Condessa Beltrami, 61, relata que já era aficcionado pelo Fordinho antes de ter idade para dirigir.
''Eu tinha um amor de infância por esse carro. O meu pai tinha um Fordinho e vendeu o veículo para comprar uma Mercury. Eu costumava tirar o Fordinho da garagem, limpava, cuidava. Meu pai tentou me convencer de que a Mercury era melhor, mas eu fiquei magoado quando ele vendeu o Fordinho. Passou o tempo. Em 1980, eu achei um Fordinho no ferro-velho e restaurei. Aí, comecei a correr atrás do Fordinho do meu pai. Quando eu encontrei, tive um colapso'', explica Beltrami.
Era o início da coleção do engenheiro, hoje composta de sete Fordinhos, fabricados entre 1928 e 31. ''O Fordinho era o carro popular da época. O (Henry) Ford queria um carro que qualquer um pudesse comprar'', diz Beltrami.


