Uma pesquisa divulgada no início da semana aponta que a grande maioria dos curitibanos, definitivamente, não gosta do Carnaval. Mas antes que alguém diga "Isso eu já sabia", vale a pena se debruçar sobre os números e interpretar os resultados da sondagem.
O Instituto Paraná Pesquisas, que realizou o levantamento, ouviu 662 pessoas entre os dias 5 e 9 deste mês. Desse total, 66,62% afirmam não gostar da festa de Momo, contra 33,38% de foliões assumidos. Até aí, nada de novo.
O tédio continua quando se constata que 68,28% costumam passar o feriado na cidade, enquanto 31,72% viajam. São mais de 500 mil habitantes fora da maior capital do Sul do país, o que confirma a percepção de esvaziamento para quem fica.
A surpresa só aparece nas respostas sobre a animação dos que passam o feriado nas praias do Paraná e de Santa Catarina (cerca de 90% dos "viajantes"). Desse grupo, 60,16% revelam que participam de algum tipo de festa nas ruas ou clubes do litoral.
Ou seja: o curitibano não é, necessariamente, um antifolião por natureza. Ele até gosta de Carnaval, contanto que não seja aqui. Não à toa, mais de 90% dos que ficam na cidade não vão aos clubes, tampouco assistem aos desfiles das escolas de samba locais.
"Não quero comprar briga com o pessoal das escolas, mas vamos ser realistas. O Carnaval daqui é muito frio, empobrecido. Não há atrativos", diz Murilo Hildalgo, diretor do Paraná Pesquisas, que realizou o levantamento por encomenda de uma emissora de televisão.
Para Hidalgo, o que mais chama a atenção na sondagem é mesmo o grande contingente de curitibanos que não gostam da folia. "Se você comparar com a porcentagem de pessoas que não gosta de futebol, cerca de 50%, vai ver que é muita gente", diz.

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