Curitibano está comendo mais em restaurantes
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
Restaurante, antigamente, era programa de fim de semana. Agora, de segunda a sexta-feira, fazem parte da rotina restaurantes lotados nas grandes cidades paranaenses no horário do almoço. Números da diretoria do Paraná da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) confirmam o fenômeno: o paranaense, em especial o curitibano, está comendo mais fora de casa.
''Em 2002, no Paraná em média 24% dos gastos com alimentação eram relativos a despesas com refeições fora de casa. Hoje, essa média é de 26%. Em Curitiba, de 2002 para 2007 o número pulou de 27% para quase 30%'', afirma o diretor-executivo da Abrasel no Paraná, Luciano Bartolomeu. Ele diz que a média de Curitiba é superior à nacional: em 2007, 26% dos gastos com alimentação do brasileiro são refeições fora de casa.
''Há algumas razões principais para o aumento desses números. Em primeiro lugar, pela comodidade e pelo custo-benefício. É mais fácil e às vezes até mais barato comer num restaurante perto do trabalho do que pegar o ônibus ou o carro para ir almoçar em casa'', explica Bartolomeu. ''Outro motivo importante é a mudança de perfil das famílias. As mulheres estão trabalhando mais fora de casa e cozinhando pouco''. O bom momento da economia nacional é outro fator de influência, segundo o diretor.
Bartolomeu aponta que esse fenômeno deve continuar: projeções apontam que daqui a 20 anos nacionalmente os gastos com refeições fora de casa representarão em média 40% do total de despesas com alimentação. Em comparação, nos Estados Unidos, hoje, a média é de 47%.
O diretor da Abrasel acredita que Curitiba é uma capital privilegiada no quesito bares e restaurantes. ''Há uma boa diversidade e preços muito competitivos. O ticket médio (valor médio pago por refeição) é de 20% a 30% menor do que em São Paulo e de 10% a 20% inferior ao de Florianópolis. Há uma procura grande e estão mais baixos os preços. Além disso, há o incentivo fiscal para micro e pequenas empresas, o que resulta em desconto para os consumidores'', explica o diretor.
Os amigos João Lima e Elias Abdo apontam que comem fora de casa de cinco a seis vezes por semana. ''Vou muito a restaurantes pela comodidade e também para estar com os amigos'', diz Abdo, que é engenheiro civil. Lima, que é empresário, acredita que Curitiba está com mais variedade. ''Surgiram muitas opções de bares e restaurantes para o curitibano. Hoje a cidade tem tantas possibilidades em qualidade e variedade quanto São Paulo'', aponta.
Entretanto, os empreendedores do setor de restaurantes lamentam alguns problemas. Bartolomeu cita a burocracia para renovação de alvarás. Marcelo Woellner Pereira, sócio do Babilônia Gastronomia & Cia e de mais dois restaurantes, afirma que outros problemas são o aumento de preço de alguns produtos, a alta carta tributária brasileira e as taxas.
''Existe a necessidade de ser cada vez mais profissional na gestão e controlar bem as contas, senão qualquer surpresa de mercado pode desequilibrar'', explica o empresário. Ao contrário de Bartolomeu, Pereira acha que o ticket médio menor de Curitiba é uma desvantagem. ''Você não pode criar um cartel, mas essa questão preocupa. Há uma dificuldade para absorver o impacto de tributos, taxas e da inflação de certos produtos'', argumenta.


