Depois de passar pelo tema no mestrado, Allan de Paula Oliveira, 34, estuda a música sertaneja de raiz no doutorado em Antropologia. O título provisório é ''Miguilim foi para a cidade ser cantor: uma antropologia da música sertaneja.'' A referência ao personagem de Guimarães Rosa®MDBO¯ ®MDNM¯coube por também ser, como muitos da música caipira, uma pessoa em trânsito. Oliveira nasceu no sul de Minas Gerais, em Três Pontas, mas a razão primordial da definição do tema de estudo foi outra. ''Escolhi por ser uma música que não ouvia, que era distante de mim. É mesmo um objeto de estudo.''
Criado em Curitiba e fã de rock e jazz, ele reconhece que existe na cidade um cenário com muitas duplas, espaços e diferentes estilos. Divide estes em três. O sertanejo dos anos 1970 (a la Milionário e Zé Rico, que alcança a população de 45 a 60 anos de bairros populares). O sertanejo mais country, que apareceu nos anos 1990, e alcança as casas noturnas e o público de classe média mais jovem (18-25 anos), como Bruno e Marrone. E o sertanejo de raiz, mais ligado a MPB. ''Da turma que não gosta do pop, por achar moderno demais, e tampouco das música dos anos 1970, que considera brega. Em Curitiba, são mais ligados ao Viola Quebrada e ao Conservatório de MPB (espaço que também oferece aulas de viola).''
Oliveira acredita que não apenas em Curitiba, como no Brasil todo com exceção do Nordeste, a música sertaneja é a mais ouvida. ''Está muito presente, mas não bate com o projeto político da cidade, que valoriza a cultura européia.'' Entre outros projetos que envolvem a música caipira, Oliveira produziu ao lado da também antropóloga Patrícia Martins o documentário de 32 minutos ''Curitiba ao som da viola: uma canja no circuito da música sertaneja em Curitiba''. O filme estreou na Cinemateca da cidade em julho. (R.U.)

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