Dos 140 mil nikkeys paranaenses, cerca de 35 mil estão em Curitiba,constituindo a maior população da comunidade no Estado e a segunda maior do País. Os nipo-brasileiros de Londrina são cerca de 5 mil famílias, segundo fonte da Aliança Cultural Brasil-Japão do Paraná. Este grupo tem aproximadamente 20 mil pessoas, dando a Londrina o segundo lugar no Paraná. Mas Assaí (Norte) é o que proporcionalmente possui mais nikkeys no Paraná, na relação entre população e comunidade. (Leia nesta edição).
A comunidade japonesa está plenamente integrada à vida das cidades. Até na capital, de aculturamento tipicamente europeu, muitos hábitos japoneses já foram incorporados. Para muitos curitibanos, já é comum sair para comer sushis e sashimis, ir a karaokês, aprender a língua japonesa ou matricular os filhos em uma academia de judô ou karatê. E japonês come feijoada e canta em pagode.
Na vida pública de Curitiba, alguns descendentes nipônicos também se destacaram - como o prefeito Cássio Taniguchi (ver nesta edição), o secretário estadual de Meio Ambiente, Hitoshi Nakamura, o secretário municipal de Obras, Hirotoshi Taminato, e o vereador Rui Hara.
‘‘A maioria dos nossos avós veio do Japão para trabalhar nas lavouras de café. Nossos pais também sofreram para se manter, e hoje a terceira geração já está bem integrada’’, avalia Hara. Segundo ele, de toda a comunidade japonesa na cidade, entre 80% e 85% têm diploma universitário.
Para Taminato, as maiores qualidades dos japoneses que contribuíram para o desenvolvimento da cidade são a honestidade, a persistência e o respeito aos mais velhos. ‘‘Procuramos transmitir a importância dessas características aos nossos filhos, além dos costumes da cultura oriental’’, diz.
O crescimento da presença nikkey em Curitiba pode ser observado em estatísticas das últimas décadas. Em 1932, o censo publicado pelo jornal ‘‘Seishu Shimpo’’ apontou a existência de apenas 87 japoneses ou descendentes na cidade. Em 1958, na Imin 50, já viviam em Curitiba 2.417 imigrantes ou descendentes.
‘‘Exóticos’’Como no Brasil, o aumento da população nipônica em Curitiba é atribuído ao desfecho da Segunda Guerra, perdida pelo Japão. A maioria dos imigrantes decidiu ficar definitivamente no Brasil, investindo na educação dos filhos e se adaptando à cultura brasileira. Hoje, boa parte das famílias japonesas que se instalaram em Curitiba mora no Jardim das Américas e no Bairro do Guabirotuba.
Outro fator histórico de atração de Curitiba é que na década de 40, a capital era a única no Estado a oferecer cursos superiores - quase uma obrigação para os japoneses - através da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O processo migratório diminuiu com o surgimento da Universidade Estadual de Londrina (UEL) em 1972, e alguns anos depois da de Maringá (UEM).
De acordo com o pesquisador Cláudio Seto, de Curitiba, o povo do Paraná nunca tinha visto um nipônico até 1907. Notícias publicadas nos jornais da época, em Curitiba, tratavam os japoneses como ‘‘um povo exótico de um país asiático’’. Em dezembro daquele ano, os paranaenses foram surpreendidos com a chegada do ministro Sadatsuchi Uchida e seu secretário e intérprete Arajiro Miura. De passagem pela Argentina, eles desembarcaram no Porto de Paranaguá para uma visita de observação ao Estado. Certamente, já preparando terreno para dar início à imigração para o Brasil. (Colaboraram Walter Ogama e Egidio Brizola).

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