Os moradores do edifício Lagos Andinos, na Rua Almirante Gonçalves, no bairro Água Verde, tem um privilégio único entre toda a população de Curitiba. Só eles podem usufruir da sombra e do espaço amplo sobre as raízes de uma imensa Ceboleira. E não se trata de uma árvore qualquer. Essa representante da família Phylolaccaceae faz parte de um grupo de apenas dez árvores em todo o Estado – nove em Curitiba e uma em São Mateus do Sul – que são tombadas pelo Patrimônio Cultural do Paraná (PCP).
  Muita gente nem sabe que árvores também podem ser tombadas. É verdade que elas são minoria. São apenas dez entre uma lista de 165 bens tombados no Estado, sendo 58 na Capital. Assim como os imóveis que são tombados não podem ser reformados ou descaracterizados, as árvores, que são tombadas como bens naturais, só podem ser podadas, cortadas ou passar por manejo com devida autorização do órgão estadual.
  ‘‘Todo mundo que vem aqui fica encantado com a árvore, porque além de grande ela é muito bonita’’, diz a fisioterapeuta Edna Catiste Früburger, que conta que, há três anos, quando procurava um apartamento, a árvore foi uma das razões que pesaram na hora de escolher um lugar para morar. ‘‘O espaço em volta dela é muito bom para quem tem criança’’, diz ela, que sempre vem com a filha Maria Eduarda brincar embaixo da árvore.
  A vizinha Michele Müller diz que procurava um lugar que tivesse espaço para o filho brincar. ‘‘Minha mãe viu a foto no site da imobiliária. Quando chegamos, vimos que era mais bonita do que a gente imaginava’’, lembra, ressaltando que acha uma ‘‘injustiça com a cidade’’, já que só os moradores do edifício podem vê-la. E a árvore, realmente, impressiona. Ela tem cerca de 30 metros, ficando pouco mais alta do que o prédio de oito andares, um tronco grosso e raiz grande com uma parte para fora da terra.
  Não muito longe dali, no Batel, Sueli Gonçalves mora bem em frente de outra árvore tombada, uma Corticeira, um espécime enorme, que existe em praticamente todo País. ‘‘As pessoas que vêm nos visitar ficam impressionadas. Ela dá uma flor parecida com um bico de tucano, nessa época vem bastante periquito e papagaio, é lindo de ver’’, afirma. A adestradora de cães Maria Cristina de Oliveira, que trabalha na região, diz que não sabia que a árvore é tombada. ‘‘Passo sempre aqui, acho a árvore bonita, mas não fazia idéia.’’
  Questionada sobre os motivos para o tombamento de uma árvore, ela arrisca um palpite: ‘‘Acho que é porque estão em extinção’’. Na verdade, os tombamentos têm motivos diversos, conforme explica a coordenadora de Patrimônio Cultural da Secretaria Estadual de Cultura, Rosina Parchen. ‘‘Elas são únicas. Pode ser porque é unica na região, pelo tempo de vida, por sua história, cada uma tem uma singularidade’’, explica.
  Como exemplo, ela cita o tombamento de quatro árvores Tipuana, localizadas na Praça Santos Dumont e na Rua Ébano Pereira, bem em frente ao prédio da Secretaria da Cultura. As árvores são remanescentes da arborização que antes existia ao longo de toda a Rua Ébano Pereira. A engenheira agrônoma Miriam Rocha Loures, responsável pela manutenção do patrimônio natural, acredita que as árvores foram cortadas na década de 1950 ou 1960, quando as ruas centrais da cidade foram alargadas.
  Como a Ceboleira e a Corticeira, uma terceira árvore tombada em Curitiba está em terreno particular. Trata-se de uma Tipuana, que está no pátio do Colégio Sion, também no Batel. Além das quatro Tipuanas, outras duas árvores estão em vias públicas: um Angico Branco, que está na Praça da França, no Seminário; e uma enorme Paineira, localizada na Praça General Weiner Gross, no Bom Retiro.

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