Faltam recursos humanos para atender o idoso. Curitiba só dispõe de 17 geriatras para assistir uma população estimada de 200 mil pessoas acima de 60 anos. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), hoje, apenas um médico presta este atendimento especializado, que é o chefe do serviço de Geriatria do Hospital Universitário Cajuru da Pontíficia Universidade Católica do Paraná (HUC/PUC-PR), José Mário Tupiná Machado. A instituição é a única credenciada pelo Ministério da Educação (MEC), no Paraná, a oferecer residência para geriatras.
  O paciente espera, em média, quatro meses para ser atendido no HUC. Segundo Tupiná, a situação ainda é mais crítica para as pessoas octagenárias, nonagenárias e centenárias, faixa etária que vem crescendo na população. ‘‘Esse grupo muito idoso tem peculiaridades médicas importantes, já que são pessoas vulneráveis e pré-dispostas a fragilidades para adquirir descompensações. Por exemplo, se elas desidratam, por causa de uma diarréia ou vômito, não possuem mecanismos para superar a perda facilmente. Se tratam de organismos muito envelhecidos, não vão tolerar erros médicos’’, explica ele.
  A maioria dos idosos recebe assistência médica fragmentada por especialidade e por profissionais que não estão capacitados e nem possuem experiência e conhecimento para lidar com idosos. ‘‘Quem atende o idoso é o clínico geral. Mas geralmente ele é esquartejado. Vai num urologista para tratar da próstata, vai a um cardiologista para checar o coração, a um dermatologista para ver problemas de pele, a um oftamologista para fazer tratamento para catarata e assim por diante’’, contextualiza. ‘‘Mas não tem um médico para ele. O geriatra vê o paciente de forma integrada e não apenas seus órgãos.’’
  Segundo Tupiná Machado, quanto mais vive menos o ser humano depende da genética. O que vai influenciar a qualidade de vida do idoso é o ambiente social, o estilo de vida, hábitos, alimentação, excesso de peso e estresse. ‘‘Outros aspectos seriam o suporte econômico e afetivo, apoio familiar e espiritual. Se tem a idéia de que o paciente de idade avançada já está no lucro por estar vivendo. Mas na verdade, nós é que estamos morrendo precocemente e não de velhice, porque a duração da vida são 125 anos. O certo seria morrer por falência de múltiplos órgãos conseqüente ao processo de envelhecimento’’, esclarece o geriatra.
  Existem, no Brasil, 16 programas de serviço de geriatria credenciados pelo MEC. ‘‘O número é reduzido por falta de cultura mesmo. Imagine que o órgão responsável por este programa, no País, comentou a incoerência do número de vagas para residência de geriatria e pediatria que não acompanham a inversão da pirâmide populacional. O número de nascimentos vem diminuindo e de velhos vem crescendo, mas as vagas continuam sendo em maior número para pediatria’’, disse Machado, acrescentando que a expectativa de vida ainda não aumentou significativamente, mas aumentou o número de pessoas que vivem mais.
  O especialista lembra que os estudantes de Medicina também não despertaram para essa realidade. ‘‘Não sabemos como lidar com nossos avós que estão vivendo mais. O transporte público, o acesso a teatros, cinemas e supermercados, as calçadas, não foram feitos pensando nessa pessoa mais idosa. Incentivamos o idoso a ficar em casa, a fazer crochê e ver TV, quando deveríamos fazer o contrário. A verdade é que o Brasil é velho há pouco tempo’’, explica Tupiná Machado, pontuando que o envelhecimento ainda é envolto por muitas doenças e limitações. ‘‘Mas acredito que daqui a 50 anos, a maioria idosa será ativa e saudável’’, completa.

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