FOLHA DE LONDRINA: Qual a sua opinião a respeito da prática do nepotismo?
LAURO RODRIGUES: Se for trabalhar com competência pelo município e saber o que está fazendo, não vejo problema. Prefiro botar um parente meu do que colocar um cara que nem conheço. Prefiro escolher uma pessoa que eu confie, para depois poder puxar a orelha se ele estiver fazendo besteira. Quem vai responder pelos atos dele sou eu, como prefeito. Mas já temos uma legislação específica e está de bom tamanho.

FOLHA: Que mecanismos de transparência o senhor pretende implantar na sua gestão, caso eleito?
RODRIGUES: Venho falando muito no Cartão Verde que é uma grande ferramenta da transparência pública. Para ter o cartão, o cidadão vai na Rua da Cidadania ou em qualquer posto de saúde ou na prefeitura e faz um cadastro. Vai tudo para o cadastro. A prefeitura vai saber quem ele é. A pessoa vai ter uma senha para ter acesso a determinadas informações. Todas as informações de todas as secretarias vão estar contidas neste site. O Cartão Verde é a máquina da transparência.

FOLHA: Por que o cidadão vai ter que fazer o cadastro para acessar essas informações?
RODRIGUES: O cadastro é importante para a prefeitura saber quem mora em Curitiba. Para botar ordem na casa tem que saber quem mora nessa casa. Quem for no posto de saúde e estiver com o seu cartão, vai ter preferência. Todo mundo sabe que os postos de saúde são utilizados principalmente pelo pessoal da região metropolitana. Com o Cartão Verde quem mora em Curitiba vai ter a preferência. Mas não vamos deixar de atender quem não tem. Quando o cidadão passa o cartão no posto, a atendente já pode verificar quando foi a última consulta, quais as reclamações mais frequentes, se a pessoa tem pressão alta, diabetes. O atendimento vai ser mais rápido e pessoal.

FOLHA: O senhor é favorável ao financiamento público de campanha?
RODRIGUES: Não. Cada partido que se vire, que consiga seus recursos. Não acho que essa seja a saída.

FOLHA: Mas isso não facilitaria a campanha para partidos pequenos como o seu? Na primeira prestação parcial de contas dessa eleição seu partido não declarou movimentação nenhuma.
RODRIGUES: Não declarei porque quando fui lá levar a declaração, o TRE estava com problema, deu pane. Mas não acho que o fato de ter partidos pequenos justificaria o financiamento público. Só sou de um partido pequeno porque quero, me identifico. Gosto do Danilo (Becker D'Avila, presidente do partido), é meu amigo. Fui presidente do Partido Liberal por seis anos. Quem vai para um partido pequeno sabe que existe essa dificuldade. Quem vai para partido grande tem as suas facilidades.

FOLHA: Por que o senhor saiu do PL?
RODRIGUES: Foi a junção do Alencar (José Alencar, vice-presidente da República) com o Lula. Era do PL e não concordei. Sempre estive no lado oposto ao PT politicamente. Quando a nacional fechou coligação com o PT, me desfiliei. Não concordava. Foi uma posição minha. Tenho amigos no PL e no PT e não tenho problema com eles. É só meu posicionamento político.

FOLHA: O que o senhor pensa sobre a atuação da Câmara Municipal?
RODRIGUES: Acho que o (João Claudio) Derosso está fazendo um grande trabalho na Câmara Municipal. Ele está no terceiro ou quarto mandato de presidente na Câmara. Num todo, a Câmara tem feito um bom trabalho sim. Mas tem alguns vereadores que é de lamentar.

FOLHA: O senhor faz diversos elogios a administração do Beto Richa. Então por que se candidatar para concorrer contra ele ao invés de apoiá-lo?
RODRIGUES: Não estou concorrendo contra ele. Estou concorrendo a favor de Curitiba. É um direito que tenho. O partido achou que eu poderia ser candidato. Gosto do Beto, da administração dele. Mas não impede que eu possa mostrar propostas alternativas. E nada impede também que qualquer candidato que se eleger utilize as idéias que tenho. As idéias não são para mim. São para a cidade.

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