O produtor cultural Maurício Appel também tem uma teoria sobre a fama de reservado do curitibano. Para ele, essa característica teria sido herdada das gerações que sofreram com conflitos como a Revolução Federalista, em 1894. ''Curitiba sempre foi palco da revolução dos outros. Isso criou no curitibano certa desconfiança com tudo o que vem de fora'', defende. ''Foi um vício social que passou de geração para geração. Cinco gerações é pouco para tirar essa diferença'', completa.
Appel produziu recentemente o filme O Preço da Paz, que narra o episódio em que o Barão do Serro Azul negocia uma passagem pacífica dos maragatos de Gumercindo Saraiva por Curitiba, na tentativa de evitar saques e mortes na cidade após a fuga do governador Vicente Machado. Acusado de traição pelo governo de Marechal Floriano Peixoto, ele é executado sem direito a julgamento junto com outros comerciantes e representantes locais. ''Se for vasculhar, vê-se que essa história acaba sendo muito recente. Faz parte da formação da cidade ser desconfiado'', sentencia. (D.R.)

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