Curitiba não tem dados sobre recuperação de bens roubados
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Não há dados oficiais sobre o índice de bens furtados ou roubados que são recuperados pelas vítimas. A Polícia Civil garante, no entanto, que, quando apreendidos com os criminosos, a maioria dos objetos volta para as mãos dos seus donos. Com a prisão recente de uma quadrilha de arrombadores, em Curitiba, vários pertences furtados - a maioria produtos eletrônicos - foram encontrados na casa de um dos integrantes.
O delegado da Furtos e Roubos de Curitiba, Luiz Carlos de Oliveira, informou que cerca de 90% dos objetos apreendidos com a quadrilha foram devolvidos. As vítimas procuraram a delegacia, onde já haviam registrado boletim de ocorrência, e com documentação comprovando a procedência recuperaram seus pertences.
Oliveira está como titular da Delegacia de Furtos e Roubos há pouco mais de um mês, mas acredita que são raras as situações em que a vítima não vai buscar o que foi apreendido. Os objetos, segundo ele, ficam em um depósito, aguardando que os proprietários vão buscá-los. Os bens que não são resgatados vão a leilão, informou. O delegado explicou que, para comprovar que aquele bem lhe pertence, a vítima deve levar uma nota fiscal ou outro documento da origem do produto. Na falta de uma documentação, a pessoa terá que descrever as características do objeto, dando detalhes peculiares.
''O que traz as pessoas à delegacia é a expectativa de reaver seus pertences. Nós trabalhamos para isso'', destacou Oliveira, admitindo, entretanto, a dificuldade de recuperar os objetos furtados ou roubados. O policial explica que, geralmente, quando uma quadrilha é presa, os integrantes já passaram para frente o que foi obtido de forma ilícita.
Oliveira diz, no entanto, que a maioria das pessoas faz o boletim de ocorrência apenas por ''desencargo de consciência'', pois não acredita que irá reaver seus bens. Ele enfatizou a importância do B.O. para nortear o trabalho investigativo e trazer provas para o inquérito. Os quatro arrombadores presos recentemente, exemplificou, foram indiciados por formação de quadrilha. O reconhecimento dos integrantes feito pelas vítimas ajudou a reforçar as acusações contra o grupo. ''Eu posso afirmar que, com a prisão dessa quadrilha, caiu o número de arrombamentos na cidade'', garantiu o delegado.
Apesar da possível queda nos furtos a residências, há outras frentes de investigação em andamento, adiantou Oliveira. Isso, porque a polícia acredita que há mais pessoas envolvidas com a mesma quadrilha. A Delegacia de Furtos e Roubos também está atrás de uma quadrilha, que tem um modus operandi diferente da que foi presa. Esse outro grupo tem praticado assaltos a residências, rendendo os moradores quando estes entram em casa. O delegado não soube precisar o número, mas houve várias ocorrências dessa natureza nos últimos meses.
Segundo dados do Sistema de Geoprocessamento da Secretaria de Estado da Segurança Pública, no primeiro trimestre deste ano, foram registrados 3.789 casos de furtos em Curitiba. No mesmo período, ocorreram 7.261 roubos. O levantamento contabiliza todos as situações de furto e roubo e não apenas os cometidos contra residências.


