Curitiba moderna
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quinta-feira, 10 de abril de 1997
Fabiano Camargo 
Luís Salvador GnoatoEdifício José Biscaia, considerado a obra prima de Elgson Ribeiro GomesObras como o calçadão da Rua Quinze e, mais recentemente, a Ópera de Arame e os Faróis do Saber, são exemplos de uma arquitetura e urbanismo de vanguarda que se transformaram num cartão de visitas de Curitiba, ganhando destaque em todo o país. Mas décadas antes destas inovações serem realizadas, uma geração pioneira de arquitetos começou a tirar do papel propostas que transformariam a identidade da cidade. Estes artistas das pranchetas, munidos com as idéias da arquitetura modernista, romperam com o passado, utilizando novas técnicas, conceitos e materiais. Iniciaram um processo que levou a cidade a dar um passo adiante dentro do seu amadurecimento urbano.
Apesar da importância da geração pioneira de arquitetos modernos da cidade, que atuou com maior destaque nos anos 50 e 60, a memória cultural ainda se preocupa pouco com seu legado. Esta amnésia serviu de motivação para o arquiteto Luis Salvador Gnoato, que está defendendo na USP uma tese de mestrado baseada justamente nos pioneiros da arquitetura moderna de Curitiba. Segundo ele, é necessário preservar os edifícios que inauguraram o modernismo em Curitiba antes que seja tarde. A cidade sempre soube cuidar dos seus imóveis antigos. Agora está precisando construir sua memória mais recente, diz Salvador, que também é professor do curso de arquitetura da PUC.
Marcelo AlmeidaO Arquiteto modernista Elgson Ribeiro Gomes, que já projetou mais de 100 edifícios em Curitiba
O marco inicial da arquitetura moderna em Curitiba foi a casa construída pelo descendente de alemães Frederico Kirchgassner, em 1929. Mas a obra, cultuada até hoje (veja texto na página seguinte), foi um marco isolado. Kirchgassner produziu apenas uma segunda residência, para um irmão, e então voltou sua atuação ao planejamento urbano - trabalhou na prefeitura e em 1929 fez uma planta para a cidade.
O movimento da arquitetura moderna só foi se consolidar na cidade décadas mais tarde. Uma série de obras concebidas para a comemoração do centenário de emancipação política do Paraná, em 1953, no governo de Bento Munhoz da Rocha, marcaram a ascenção destas novas idéias. O Teatro Guaíra, projetado por Rubens Meister em 1948 e iniciado em 1951, e a construção de parte do Centro Cívico, com o Palácio Iguaçu, Assembléia Legislativa e Tribunal de Justiça, por uma equipe liderada pelo curitibano David Azambuja, entre 1951 e 1953, fundamentaram este começo.
Luís Salvador GnoatoPrédio onde hoje está o INSS é um dos primeiros seguindo os padrões da arquitetura moderna na cidade
A Biblioteca Pública, de Romeu Paulo da Costa, o Hipódromo do Tarumã, de Edmir Silveira Dávilla, também fazem parte das obras de destaque do período. Na área de edifícios residenciais e comerciais, que tiveram uma explosão a partir do final dos anos 50, brilhou o talento de Elgson Ribeiro Gomes, que construiu mais de 100 obras na cidade e foi um dos fundadores do curso de arquitetura do estado, o da UFPR, em 1965.


