Pesquisas apontam que até a primeira metade do século XIX a ocupação de Curitiba limitava-se ao entorno da Praça Tiradentes. Ouvidor Pardinho foi o primeiro a estabelecer normas para a abertura de novas ruas e indicações sobre como as casas deveriam ser construídas. E, segundo a tese do arqueólogo Igor Chmyz, antes disso o local onde hoje está a praça foi uma aldeia indígena Tupi-Guarani.
Até a chegada dos europeus a região era ocupada por dois grupos indígenas, os Jê, que eram mais arredios e se deslocavam para o interior com a chegada dos exploradores, e os Tupi-Guarani, que se relacionavam bem com os estrangeiros. Tradicionalmente, os europeus recém-chegados estabeleciam-se em cima de vilas indígenas, o que pode ter acontecido também em Curitiba.
''Aqui deveria existir uma aldeia Tupi-Guarani até o Alto São Francisco, que deu sustentação à vila de Curitiba. Para comprovar isso temos que escavar construções antigas. Estas construções não eram tão impactantes, têm o solo conservado e há a probabilidade de encontrar a camada dos índios'', explica o pesquisador.
Para Chmyz, a capital paranaense perdeu muito de sua história ao permitir intervenções urbanas sem se preocupar com a preservação do subsolo. ''Isso (a preservação) é comum em países de primeiro mundo. Nós aqui estamos batendo nessa tecla há mais de 20 anos. A preocupação era preservar casarão mas nunca se preocuparam com o sub-solo, que é riquíssimo'', ressalta o arqueólogo. (D.R.)

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