Curitiba é referência em pesquisas sobre OVNIS
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de março de 2008
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Dentre as muitas áreas em que Curitiba se destaca nacionalmente, uma é desconhecida de grande parte da população: a ufologia. A Capital paranaense virou referência em pesquisas sobre objetos voadores não identificados devido a dois congressos sobre o assunto realizados todo ano, durante o Carnaval e no segundo semestre (este ano, haverá uma exceção e o segundo encontro será promovido em maio).
Segundo o organizador desses eventos, Rafael Cury, os encontros são realizados desde 1985 e já fazem parte do calendário ufológico nacional e internacional. Há uma grande qualificação entre os pesquisadores de Curitiba. Não sei se há alguma razão específica. Acredito que esses eventos podem atrair curiosos que depois se interessam pela pesquisa. Há casos de conferencistas dos nossos encontros que começaram a estudar ufologia dessa forma, diz Cury, que é presidente nacional da Associação dos Ufólogos
do Brasil.
Ainda assim, os especialistas apontam que em Curitiba, assim como em todo o Brasil, são poucos os curiosos que se tornam efetivamente pesquisadores. O interesse pela ufologia existe em centenas de pessoas, mas os que se dedicam à pesquisa não são muitos. No Paraná, há uns dez grupos de pesquisadores, e em Curitiba, uns três ou quatro no máximo, afirma Cury.
Ele conta que seu interesse por ufologia começou em 8 de fevereiro de 1982. Nesse dia, ocorreu um dos maiores acontecimentos ufológicos do Brasil. Pessoas que estavam em um vôo da Vasp entre Fortaleza e o Rio de Janeiro, de madrugada, disseram que o avião foi acompanhado por um ufo (sigla em inglês para objeto voador não identificado). Vi a notícia em um jornal da Globo e aquilo me bateu como um raio. No dia seguinte já
estava procurando livros especializados, relata
o pesquisador.
O técnico em processamento de dados Jackson Camargo começou a fazer pesquisas em Curitiba em 1997 e mora em Antonina (Litoral) desde o ano passado. Ele diz que já avistou ovnis algumas vezes a primeira, aos dez anos de idade. Passava férias em Pinhão (40 km ao sul de Guarapuava). Quando estava voltando para a casa dos meus avós, à noite, havia um objeto brilhante, do tamanho de uma Kombi, sobre a casa. Tentei chamar alguém, mas minha voz não saía, fiquei paralisado, conta Camargo.
O pesquisador afirma que outra experiência impactante ocorreu no Colégio Estadual do Paraná, quando tinha 15 anos. Eu e dois colegas olhamos para o céu e vimos três esferas. Duas circulavam uma em torno da outra e a terceira ficava afastada, lembra. Camargo é membro do Centro de Investigação e Pesquisa Exobiológica (Cipex), criado em 1983 pelo pedagogo Carlos Alberto Machado.
Machado aponta que a região de Curitiba é rica em registros de fenômenos ufo. Segundo o pesquisador, na década de 1980 foram registradas duas ondas (termo que designa um período com várias aparições de ovnis) na cidade. Em 1982, foram comunicadas aparições em 26 locais diferentes da Capital. Em 1986, houve outra onda. Menos gente viu aparições, mas ocorreram mais filmagens, explica Machado.
Rafael Cury afirma que os ufólogos buscam ser cautelosos na análise dos registros. Somos bombardeados todo dia por pessoas apresentando imagens que podem ser de ovnis. Buscamos explicar cientificamente tudo o que chega até nós. O que nos interessa é o que não tem explicação, diz o pesquisador. Carlos Alberto Machado complementa o raciocínio: A ufologia não depende da gente, depende das evidências. A gente não fabrica nada, afirma.
Cury conta que investigou
o fenômeno ufo durante
anos mesmo sem ver pessoalmente um ovni. Finalmente, em 2003, ele avistou um objeto. Estava num prédio no Centro, na (Rua) Barão do Serro Azul. Fiquei anestesiado quando vi um objeto que parecia um bumerangue sair de trás do prédio onde eu estava e sumir atrás da Catedral. Estava com outras pessoas e pensamos que poderia ser um pássaro. Mas um piloto que estava conosco disse que o objeto estava numa velocidade de pelo menos 500 quilômetros por hora, conta o pesquisador.


